A discussão da proposta do governo do Paraná de implantação de um plano de cargos, carreiras e salários do funcionalismo estadual - denominado de Pladepe - é o tema principal da 19ª Sessão Temática do Fórum Paranaense em Defesa da Escola Pública Gratuita e Universal, que será encerrado hoje, em Foz do Iguaçu.
O encontro reúne cerca de mil pessoas, entre professores, estudantes de magistério e representantes de 209 entidades ligadas ao setor no Estado. Os documentos com a análise da política estadual de educação elaborados durante o fórum serão apresentados hoje, em uma sessão plenária. Depois, esses documentos serão enviados ao governo estadual.
A coordenadora do fórum e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Dativa de Salles Gonçalves, é uma das principais críticas do Pladepe. ‘‘Infelizmente esse plano acaba com a liberdade e a estabilidade já conquistada pelos professores’’, afirmou.
O Pladepe deverá em ir a votação na Assembléia Legislativa no começo de novembro. Entre outros itens, o projeto acaba com a estabilidade do professor, com a remoção e a jornada definida de 20, 30 ou 40 horas-aulas.
Prevê ainda que os concursos sejam realizados por escolas. Dessa forma, toda vez que um professor quiser mudar de escola será obrigado a se demitir. Com o Pladepe, as vagas serão ofertadas de acordo com a carga horária disponível na escola.
Segundo a presidente do Núcleo da APP-Sindicato (o sindicato dos professores estaduais) em Foz do Iguaçu, Ivanir de Campos, cerca de 80% dos professores da rede pública são contrários ao Pladepe. ‘‘Em atividade na Universidade do Professor, em Faxinal do Céu, no município de Pinhão (40 km ao sul de Guarapuava), a grande maioria dos diretores que participava não assinou o documento apresentado pelo governo sobre a aprovação do Pladepe, sem que antes consultar os professores’’, disse.
Segundo Ivanir, se o plano for aprovado pelos deputados, os cerca de 70 mil professores da rede pública estadual devem entrar em greve. ‘‘Não podemos aceitar esse plano, que tira os direitos e os benefícios dos professores. Ele é ruim do começo ao fim. Se for aprovado, entramos em greve’’, afirmou.
A professora Maria Dativa também criticou a extinção dos cursos técnicos na rede pública estadual. ‘‘Fecharam as escolas profissionalizantes e não colocaram nada no lugar. O Paraná apresenta uma situação atípica. Uma excessiva obediência ao Banco Mundial que prejudica a carreira do professor’’, opinou.Ney de SouzaMaria Dativa de Salles Gonçalves, coordenadora do fórumEdna Mendes e
Valmir Denardin

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