Curitiba - A Secretaria de Estado da Educação deve definir até amanhã as primeiras providências administrativas no caso do professor acusado de agressão física contra três alunos em Campo do Tenente, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a ouvidora geral da secretaria, Tânia do Rocio Santos, os garotos fizeram um exame de lesões corporais na terça-feira num hospital e tanto os pais quanto o professor estão sendo ouvidos pela assessoria jurídica da secretaria.
Ontem o professor V.P., de 47 anos, depôs na delegacia do município e, segundo o superintendente Pedro Mesquita, confirmou a versão dada à diretoria do Colégio Estadual Vítor Bussmann. Ele admitiu que perdeu o controle por causa da indisciplina na sala, uma 5ª série, e puxou um dos alunos pelo braço, empurrando-o para sentar-se, mas negou que tenha tido intenção de agredir.
Segundo Mesquita, foi lavrado um Termo Circunstaciado de Infração Penal por agressões corporais de natureza leve, já encaminhado ao juiz de Direito da comarca de Rio Negro, que ouvirá o professor e os três alunos, acompanhados pelos pais e Conselho Tutelar.
O caso aconteceu na sexta-feira passada, 7 de junho, quando o professor teria pedido para conversar depois da aula com quatro alunos que estariam causando o tumulto. Um dos garotos teria tentado sair e quando foi puxado acabou batendo com força na carteira e sangrando na boca, mas no total três alunos deram queixa.
‘‘Consideramos o fato como um caso grave e de nossa responsabilidade’’, diz a ouvidora da Secretaria da Educação. Segundo ela, não há estatísticas sobre agressões ou violência nas escolas do Paraná, mesmo porque é considerado violência tudo o que interrompe ou atrapalha o processo de desenvolvimento físico, psicológico ou emocional. ‘‘Violência não é apenas o que fere ou mata. Casos como este que estamos discutindo são raros, mas é claro que temos as pichações, os vidros quebrados e tudo mais’’, explica Tânia.
Segundo a ouvidora, a secretaria vem tentando trabalhar na prevenção da violência através de políticas educacionais e novas práticas pedagógicas, envolvendo as famílias, os jovens como protagonistas de ações comunitárias e até mesmo o voluntariado.
A psicopedagoga Isabel Parolin defendeu uma tese de mestrado pela PUC/SP com o título: Disciplina - Uma Construção em Grupo. Ela considera que o professor, perdendo o controle emocional, saiu do seu papel profissional igualando-se aos alunos. ‘‘Cabe ao professor trabalhar com o clima emocional da sala. Mesmo que
os garotos tenham sido extremamente inadequados, o professor é quem deve contagiá-los e não ser contagiado. Ele tinha que racionalizar a emoção’’, explica Isabel.

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