Professor acusa governo de estar sendo incoerente
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de janeiro de 1999
Sid Sauer 
O governo do Estado não quer descontar em folha de pagamento a contribuição da APP mas aceita descontos para pagamentos a agiotas. A denúncia foi feita ontem, em Campo Mourão, por um professor que atua há mais de 20 anos na rede estadual de ensino. Temendo represália contra ele e contra a escola em que trabalha, o professor pediu para não ser identificado, mas gravou ontem de manhã uma conversa telefônica que teve com uma instituição que empresta dinheiro para servidores públicos com pagamento em descontos na folha.
O professor mourãoense fez a ligação dois dias depois do governo do Estado anunciar que vai eliminar os descontos em folha de pagamento das contribuições sindicais de todos os servidores estaduais. Descontar R$ 8,00 para a APP-Sindicato não pode, mas descontar todo o salário do professor para pagar empréstimo pode?, questiona o professor. Na conversa que teve com uma funcionária de uma empresa que faz empréstimos a servidores, o professor fez questão de dizer que tinha visto em jornais que os descontos estavam suspensos.
A funcionária me garantiu que não e até adiantou que os decontos para pagar o empréstimo começariam em março, explica o professor. Com salário bruto de R$ 1,3 mil e líquido consignável de R$ 700,00, o professor recebeu a informação de que poderia emprestar até R$ 4.890,00, que seriam descontados em 12 pagamentos de R$ 700,00. Com isso, ao final dos 12 meses, ele terá descontados R$ 8,4 mil, ou seja, um montante 71,77% maior que o emprestado. Isso é que deveria ser proibido pelo governo.
O professor que fez a denúncia à Folha é casado com uma professora que não é sindicalizada e, portanto, não tem descontos destinados à APP-Sindicato. Ela não quer pagar e tem que ser respeitada, frisa o professor. O que não pode é o governo acabar com um procedimento apenas para desarticular um sindicato. A APP conta com 42 mil sindicalizados em todo o Estado. No ano passado, a ameaça de impedir os repasses ao sindicato fez com que um grupo de professores ficasse em greve de fome em Curitiba. A seguir, reproduzimos trechos da conversa telefônica.


