''Tecendo a liberdade'' é um projeto inédito para a Secretaria Municipal da Mulher. A idéia nasceu em 2001 mas, segundo a atual secretária Maria José Barbosa, vários imprevistos fizeram com que o projeto fosse adiado. Se der certo agora, o trabalho será realizado com as detentas todas as segundas-feiras, aproveitando os horários já utilizados pela Pastoral Carcerária.
A entidade é responsável por grande parte do material de artesanato usado pelas detentas, além de fornecer produtos de uso pessoal. De acordo com a vice-coordenadora da Pastoral, Maria Tereza Souza Farias, a parceria com a prefeitura vai viabilizar a aquisição de mais material, tornando possível a profissionalização das detentas. ''Elas já fazem muito com pouco. Coisas que para quem está aqui fora são banais, para elas valem bastante'', afirma Maria Tereza.
A secretaria da Mulher também pretende levar para o 4º DP oficinas de artesanato. As aulas serão dadas por integrantes de organizações comunitárias femininas, ligadas ao Conselho dos Direitos da Mulher. Esse também será o canal utilizado para a comercialização das peças produzidas pelas detentas, que poderão ser expostas em feiras de artesanato itinerantes, shoppings e no futuro Centro de Referência em Artesanato de Londrina (Cereal). ''Com a renda obtida as detentas poderão ajudar as famílias, a maioria de baixo poder econômico'', acredita Maria José Barbosa.
Estão previstas ainda oficinas e palestras sobre auto-estima e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), em colaboração com a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia). A secretária da Mulher não descarta a possibilidade de os trabalhos realizados pelas detentas servirem para remissão das penas. O assunto terá que ser avaliado pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle.
Desde fevereiro, quando as detentas do 2º DP foram transferidas, o 4º DP é o único local que abriga mulheres presas em Londrina. O distrito está com 32 detentas, embora a capacidade original seja para 24. ''A maioria é jovem, presa por tráfico de drogas. Se elas não tiverem um trabalho ao sair, é provável que voltem a delinquir'', destaca o delegado do 4º DP, Roberto Hummig.

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