Produtos espalhados e desperdiçados pelo chão, uma imagem que quase não se vê mais na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina, nem mesmo em dias de comercialização, quando o movimento é grande. Uma espécie de mutirão entre produtores e atacadistas garante a separação dos alimentos não aproveitados para a comercialização. Tudo é colocado em caixas e diariamente os produtos são recolhidos por funcionários de entidades cadastradas para receber as frutas, verduras e legumes.
É o chamado programa Ceasa Amiga, que possibilita que 40 toneladas de alimentos saiam da Central todos os meses, direto para a cozinha de entidades, como creches, abrigos, escolas e igrejas. De acordo com o responsável pelo programa, o assistente técnico Oscar Ochiro, 140 entidades estão cadastradas e são atendidas todos os meses. ''Essas entidades atendem 20 mil pessoas, que recebem frutas e verduras, de acordo com a necessidade de cada uma'', relatou.
O programa chama a atenção. Num lugar onde a manipulação desses produtos é diária, nada mais lógico do que aproveitar o máximo possível. Para isso, foi criado o Banco de Alimentos, que funciona dentro da própria Ceasa, controlando a distribuição. É no Banco que os produtos são limpos e novamente separados para serem distribuídos.
Todo o trabalho é controlado e acompanhado pela auxiliar técnica do Banco, Fátima Bernardes de Souza. ''Depois da manipulação dos alimentos, onde as partes mais danificadas são jogadas fora, fazemos a divisão de forma que todos levem os melhores produtos para cada entidade'', explicou.
Mas nem sempre foi assim. Antes do programa, o reaproveitamento das sobras era feito de forma livre e desorganizada. ''As pessoas entravam na Ceasa para recolher as sobras e acabavam atrapalhando o serviço de produtores e atacadistas. Resolvemos organizar a distribuição para atender melhor quem precisa'', afirmou Ochiro.
Os produtores e atacadistas passaram a selecionar e separar os alimentos a serem doados. Hoje, o Ceasa Amiga funciona atendendo seis entidades assistenciais por dia, que enviam dois voluntários à Central para recolher os produtos. ''É um trabaho conjunto, onde destacamos também a boa vontade dos produtores e atacadistas que se dispõem a separar e selecionar melhor os alimentos para as entidades'', destaca Ochiro. Segundo a gerência, mensalmente passam pela Central de 15 a 17 mil toneladas de produtos.
Todo o trabalho é acompanhado de perto por Ochiro, que faz visitas às entidades, verifica os locais de armazenamento e aprova os cadastros. Uma forma de garantir o aproveitamento dos alimentos.

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