Produtos piratas dominam Shopping Popular
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Telma Elorza<br> Reportagem Local 
Quase um mês depois de sua inauguração, o Shopping Popular de Londrina que reúne os 316 camelôs retirados das Avenidas Leste-Oeste e São Paulo continua um paraíso da falsificação e da pirataria como era no antigo local. É raro econtrar uma banca que não venda pelo menos uma marca famosa a preços bem populares. Camisetas Nike e Cavalera, bermudas Mormaii, tênis Adidas ou Nike Shox (que, nas lojas autorizadas, custam entre R$ 450 e R$ 500) podem ser encontrados a preços que variam de R$ 15 (camiseta) a R$ 35 (tênis). Um relógio Hugo Boss, cujo valor no mercado está entre R$ 800 e R$ 1,2 mil pode ser comprado por R$ 15 e ainda ganha-se a ''garantia'' de 30 dias para qualquer problema na máquina. A reportagem da Folha comprou, esta semana, no novo camelódromo, produtos que comprovam o comércio ilegal: cópia de CD, relógio e óculos de grau.
Os próprios vendedores reconhecem que ''não é legal'' vender cópias. ''Mas se não for assim, quem vai ter dinheiro para comprar um verdadeiro? É demais pagar R$ 200, R$ 300 em um tênis só porque tem marca'', disse a dona de uma banca de tênis.
Para quem procura CDs, o lugar é uma verdadeira festa de música, de jogos, de programas de computador e de tudo o que se possa imaginar tem por ali. Todos com preços entre R$ 5 (de música) e R$ 20 (os jogos de computador mais disputados).
Ali pode-se comprar todos os sucessos do momento e em todos os ritmos, do axé music ao rock pauleira, passando por forrós e até músicas evangélicas. E se não encontrar o CD de sua preferência, é possível até fazer a encomenda. ''É só dizer qual disco você quer e vir buscar no outro dia'', disse um comerciante de CD. Segundo ele, se não tiver em ''estoque'', é só gravar em casa, durante a noite. ''E se o CD for lançamento a gente compra'', afirmou.
A venda irrestrita de produtos falsificados no Shopping Popular vai contra o que ficou acordado, no ano passado, entre os representantes dos camelôs, a Organização Não-Governamental (ONG) Canaã e a Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A CMTU e o Município subsidiaram a mudança dos camelôs para o novo local pagando as reformas do prédio e seu aluguel por dois anos e exigiram a legalização de todos os camelôs.
Segundo a presidente da Acal, Cleuza Maria da Silva, é impossível controlar o que cada um vende em sua banca. Cleuza explicou que está sendo elaborado um regimento interno para coibir venda de produtos ilegais. ''Mas é difícil, principalmente porque os alvarás ainda não foram liberados, e o pessoal tem que fazer dinheiro'', justifica. O presidente da ONG Canaã, Rogério Gonsales de Oliveira, não foi localizado ontem pela reportagem.


