Produtores temem calote de cerealista
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quarta-feira, 02 de maio de 2001
Lucinéia ParraDe Maringá 
Cerca de 200 produtores rurais de Marialva (17 quilômetros de Maringá) estão desesperados com o desaparecimento do cerealista Gilson Fransini, dono da Cerealista Nossa Senhora Aparecida. Muitos produtores deveriam ter recebido o dinheiro da venda da soja na semana passada, mas Fransini não é encontrado na empresa desde o dia 17 de abril. Apenas uma secretária atende no local. O grupo de produtores estima que aproximadamente 100 mil sacas de soja não foram pagas pelo cerealista, o que corresponde a um prejuízo de R$ 1,6 milhão.
Muitos agricultores entregaram toda safra de soja ao cerealista e estão preocupados porque os financiamentos bancários começam a vencer este mês. No total, a cerealista teria recebido, conforme os produtores, cerca de 180 mil sacas de soja nesta safra. Estima-se que Fransini tenha pago o equivalente a 80 mil sacas.
Nas últimas duas semanas, entretanto, ele estaria pedindo prazo para o pagamento da soja. Foi um golpe premeditado porque ele (Fransini) não deixou quase nenhum bem em seu nome e fugiu da cidade um pouco antes dos pagamentos parcelados, diz Belmiro Sanches, 52 anos. Sanches entregou 750 sacas de soja na ceralista e teme amargar um prejuízo de aproximadamente R$ 12 mil.
Em Marialva agora é moda os cerealistas darem o calote. A cada ano tem um cerealista falindo e deixando os produtores na mão, disse Sanches. Outro agricultor que está muito preocupado com a situação é Laércio Brique, 51. Ano passado ele entregou boa parte da safra de soja para a Cerealista Feltrim, que encerrou as atividades sem pagar boa parte dos produtores. Ainda não recebi o dinheiro de 300 sacas que deixei na Feltrim e agora vem mais este calote. Desse jeito não tem agricultor que aguente, desabafou. Este ano, Brique entregou 500 sacas na Cerealista Nossa Senhora Aparecida e deveria ter recebido na última segunda-feira cerca de R$ 8 mil.
O advogado Israel Batista de Moura disse ontem aos agricultores que se concentravam na frente da cerealista que Fransini estava em Curitiba tentando viabilizar uma linha de crédito especial junto à Secretaria Estadual de Agricultura, para honrar os compromissos com os produtores de soja.
Segundo Moura, Fransini estaria passando por dificuldade financeira em função de dívidas contraídas em dólar. Com a alta do dólar nos últimos meses, Fransini ficou em uma situação bastante difícil, disse. Ainda de acordo com o advogado, Fransini pretende se reunir na próxima segunda-feira com os credores, em Marialva. Ele vai pagar os produtores de uma forma ou de outra, mas não garanto que ele pague 100% da dívida, afirmou. Moura não soube informar o valor da dívida com os produtores.
É o segundo caso na região de Maringá de desaparecimento de cerealista com a produção de soja dos agricultores. Na comunidade de Água Boa, distrito de Paiçandu (10 quilômetros de Maringá), o cerealista Agenor Dionízio Braga Filho também não é localizado pelos sojicultores há mais de 15 dias. Ele teria recebido cerca de 65 mil sacas de soja dos agricultores da região e causado um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão.


