Trinta donos de propriedades rurais às margens do Arroio Santo Antônio, em Janiópolis (41 km a oeste de Campo Mourão) assinaram anteontem um termo de ajustamento se comprometendo a replantar a mata ciliar ao longo do rio até novembro deste ano. O acordo foi proposto pelo promotor de Meio Ambiente Guilherme Maranhão Sobrinho. Ao todo, as margens do córrego vão ganhar mais de 200 mil mudas de espécies nativas.
‘‘Se quiséssemos, poderíamos multar todos vocês já por crime ambiental’’, explicou o chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Paulo Benedito Tanahaki, durante reunião com os produtores. ‘‘Mas preferimos fazer esse trabalho de conscientização’’, completou. Nos próximos dias, o IAP e a promotoria voltam a se reunir com pelo menos outros 40 donos de áreas rurais ao longo do córrego Santo Antônio.
Sem as vacasO pasto da propriedade de Orival Fávaro fica dentro da margem de 30 metros: ‘‘Vou ter que vender minhas vaquinhas’’, queixa-sePelo acordo, cada proprietário vai ter que plantar espécies nativas em pelo menos 30 metros da margem do rio. Onde existirem minas e nascentes, a faixa de mata ciliar deverá ter 50 metros. As áreas com pastagens deverão ser cercadas para impedir o acesso do gado. Já as áreas de plantio deverão ser abandonadas logo após a colheita. As mudas serão cedidas gratuitamente pelo viveiro da prefeitura de Janiópolis, mas deverão ser pedidas com 120 dias de antecedência.
Em novembro, quando vencer o prazo para o plantio da mata, os produtores terão que enviar um laudo técnico à prefeitura comprovando que plantaram as espécies nativas. Quem não tiver o laudo vai ser multado pelo IAP e processado pelo Ministério Público. ‘‘Vou ter que vender minhas duas vaquinhas’’, disse o produtor Orival Fávaro, 48 anos, dono de uma chácara de 1,5 alqueire às margens do córrego. É que o pasto dele fica dentro da margem de 30 metros.
Apesar de perder a única área destinada ao gado, Fávaro assinou o acordo sem reclamar. ‘‘Se é lei, tenho que assinar’’, conformou-se. Jorge Ribeiro da Silva, 65 anos, dono de uma chácara de 2 alqueires também assinou o acordo, mas lamentou o prejuízo. ‘‘Vou perder pelo menos meio alqueire da propriedade’’, disse. O produtor José Barros Freire, 48 anos, reclama que o prazo para o plantio é curto e que o governo deveria financiar o plantio da mata ciliar.
‘‘A lei está certa, mas teremos custos com a construção de cercas e o preparo do solo’’, explica Freire, que é dono de uma área de 60 alqueires. O presidente da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) de Janiópolis, Luís Souza, 50 anos, tem outro problema. A associação, em área de 2 alqueires, tem um campo de futebol e um salão dentro dos 30 metros. ‘‘Vamos ter que negociar’’, disse. Mesmo assim, Souza assinou o acordo.

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