Produtores rurais do distrito londrinense de Lerroville e índios da Reserva Indígena do Apucaraninha podem bloquear novamente a PR-445, que liga Londrina ao Centro e Sul do Estado. A informação é do produtor rural Manoel Chimenez, um dos líderes do movimento que reivindica a pavimentação da estrada que liga o distrito à aldeia indígena. ‘‘Há semanas, o prefeito Antonio Belinati prometeu uma audiência com o secretário dos Transportes. Se a audiência não for marcada nesta semana, vamos fazer uma reunião no domingo e decidir o próximo passo do movimento’’, destaca Chimenez.
Além de outro bloqueio da Rodovia Londrina-Mauá, o líder rural adianta que há possibilidade também de nova invasão à Prefeitura e até de acampamento em Curitiba. ‘‘Estamos fazendo de tudo para segurar o povo. Mas paciência também tem limite’’, alerta Chimenez.
A indignação da comunidade que utiliza a Estrada do Apucaraninha pode aumentar ainda mais porque o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, disse no sábado passado que a pavimentação asfáltica pode demorar ainda mais. Herwig, que esteve em Londrina acompanhando o governador Jaime Lerner e o vice-presidente da República, Marco Maciel, declarou a duas emissoras de rádio que, se a comunidade exigir pavimentação asfáltica em lugar de pedras irregulares, o processo vai começar do zero.
De acordo com o secretário, já há inclusive dotação orçamentária para o calçamento com pedras irregulares. Mas para pavimentação asfáltica seriam necessários novos estudos, projetos, licitação e, principalmente, dotação orçamentária. Considerando os prazos, dificilmente a obra seria iniciada este ano.
Na entrevista, o secretário revelou que já encaminhou ao Departamento de Estradas de Rodagens (DER/PR) pedido de estudo do asfalto. Ontem, a Folha fez contato com a diretoria do DER/PR, cuja assessoria ficou de apurar as informações. A ligação telefônica, entretanto, não foi retornada.
Informado sobre as declarações do secretário dos Transportes, o líder dos produtores rurais diz que ‘‘há alguma inverdade nesse processo’’. É que, de acordo com Chimenez, os projetos e verbas para o calçamento da Estrada do Apucaraninha com pedras irregulares foram aprovados em 92.
‘‘O DER chegou a implantar alguns poucos quilômetros de pedras irregulares a partir da Usina Hidrelétrica do Apucaraninha. Mas este tipo de pavimentação não serve, pois em menos de 7 anos alguns trechos são quase intransitáveis por caminhões’’, enfatiza o líder rural, reiterando que a comunidade exige pavimentação asfáltica.
Chimenez comenta, ainda, que a comunidade não abre mão de um compromisso do governo do Estado ou da Prefeitura no sentido de garantir a obra. ‘‘Estamos dispostos a negociar prazo. Mas exigimos que seja pavimentação asfáltica e que este prazo seja cumprido. Caso contrário, vamos discutir formas de garantir nossos direitos.’’Arquivo FolhaPrimeiro protestoMês passado, comunidade bloqueou PR-445 durante o dia todo, provocando transtornos aos usuáriosÁureo Nogueira

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