Depois de mais de três anos do lançamento do projeto para a construção do novo aeroporto de Cascavel, ainda não existem perspectivas para o início das obras. Os mais revoltados com a situação são os produtores rurais que estão proibidos de comercializar suas terras, no local escolhido para ser construído o aeroporto, pois a área foi declarada como de interesse público.
Eles continuam cultivando os cerca de 280 hectares de terra que serão desapropriados para a construção do aeroporto, porém deixam de fazer investimentos porque temem perder o dinheiro aplicado nas plantações. Em uma primeira avaliação do governo do Estado, as terras a serem desapropriadas foram avaliadas em R$ 2,9 milhões.
O agriculor José Steffens faz parte de um conselho de proprietários das terras que chegou a se reunir com o governo do Estado. Steffens afirma que há mais de dois anos os produtores não são procurados para negociar a indenização das terras. ‘‘Chegamos a fazer três reuniões mas nada ficou acertado. Agora só recebemos informações através da imprensa. Estamos nos sentindo abandonados’’, disse.
Steffens lembra que, em dezembro de 1997, o governador Jaime Lerner (PFL) esteve no local e promoveu uma festa para anunciar o lançamento do projeto. O agricultor, que terá cerca de 45 hectares desapropriados, reclama que o aeroporto será construído na melhor parte de suas terras. ‘‘Além de utilizar os 45 hectares para a área do aeroporto, outros 25 hectares ficarão na parte de trás da construção, e eles já disseram que não irão me indenizar por essa parte, mas eu também não terei como utilizá-la’’, reclamou.
O prefeito Edgar Bueno (PDT) disse que existe uma reclamação regional em relação à demora para o início da construção do novo aeroporto, porque a obra pode significar grandes investimentos para o Oeste do Paraná. Bueno acrescenta que o assunto foi discutido nos últimos encontros com o governador.
O chefe do departamento hidro-aero-ferroviário da Secretaria de Estado de Transportes, Germano Monteiro, informa que as obras para a construção do aeroporto deverão começar apenas em 2002, ou seja, cinco anos após seu lançamento. Ele acrescenta que o novo aeroporto deverá ter pista de 2,5 mil metros de comprimento por 45 metros de largura.
Germano Monteiro completa que os processos de desapropriação já estão concluídos, faltando a liberação dos recursos para a Procuradoria-Geral do Estado iniciar as desapropriações judiciais. Segundo o diretor, o projeto do novo aeroporto está concluído e aprovado pelo Comando da Aeronáutica.
Para o início das obras, o governo do Estado deverá assinar um convênio com o Comando da Aeronáutica, pelo qual a União pagará os custos da terraplenagem, pavimentação e drenagem da pista de pouso e decolagens, com valor estimado de R$ 18 milhões. Ao Estado, resta o projeto e licenciamento ambiental, construção de terminal de passageiros, construção de acessos rodoviários, além da infra-estrutura para funcionamento do aeroporto.

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