Cascavel - A comissão que representa os produtores que terão terras desapropriadas para a construção do aeroporto regional do Oeste do Paraná querem que uma nova avaliação seja feita nos 167 alqueires que foram considerados de utilidade pública há cerca de três anos pelo governo do Estado. A proposta apresentada pelo governo é R$ 3,9 milhões pela área total, mas os produtores entendem que está muito abaixo do valor real das terras.
Na avaliação feita pelo Estado, o alqueire custa na região o equivalente a R$ 21,6 mil. Já a comissão de produtores pede no mínimo R$ 35 mil por alqueire para entregar as terras. O impasse poderá resultar em ações judiciais de ambas as partes. Na última semana, em visita a Cascavel, o governador Jaime Lerner (PFL) deixou clara a posição do Estado. ‘‘Vamos desapropriar a área de qualquer maneira. Se for preciso faremos via judicial’’, ameaçou.
A área escolhida para a obra está localizada entre os municípios de Cascavel, Tupãssi e Toledo. As terras são consideradas nobres à agricultura de grãos, como soja, milho e trigo. O agricultor Egon Wutzke, terá 2 de seus 7 alqueires desapropriados para a construção do aeroporto. Ele ressalta que não é contra a construção do aeroporto, mas reclama que o valor oferecido não possibilita a compra da mesma quantidade de terra naquela região.
Egon acrescenta que além do valor oferecido, outro problema é a legislação federal que exige o reflorestamento de 20% da área, ou seja, além dos 2 alqueires desapropriados, mais um será perdido. Ele lembra também que desde que a área foi declarada de utilidade pública, os 15 produtores deixaram de plantar e fazer investimentos. ‘‘Este ano que plantamos um pouco, mas sem gastar muito na área’’, diz.
O ex-deputado Sabino Campos, que possui 40 dos 167 alqueires, negou que esteja criando dificuldades para um acordo. Segundo ele, a única proposta concreta feita pelo Estado aos proprietários aconteceu no dia 15 de setembro de 1998.
O Comando da Aeronáutica já garantiu recursos da ordem de R$ 28 milhões para a construção do aeroporto. Ainda serão necessários investimentos para a construção de acessos ao aeroporto e terminal de embarque de passageiros e cargas.

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