Produtores obtêm decisão contra despejo
Após saber que fazendas de brasileiros da região de Santa Rita corriam o risco de serem transferidas para supostos donos paraguaios, quatro ''brasiguaios'' ingressaram na Justiça local e obtiveram medida cautelar que, embora não bloqueie o andamento das ações, impede o desalojo deles das áreas afetadas por títulos em duplicidade.
O agroempresário Maximino Lazzarotto é um deles. Ele conta que se mudou em 1981 de Matelândia, onde era bancário, (PR) para Santa Rita. ''Me casei no sábado, arrumei a mudança no domingo e me mudei na segunda'', brinca o hoje bem sucedido produtor e fabricante de farinha de trigo, que está construindo um moinho - de cerca de US$ 5 milhões - de produção de massas.
Lazzarotto calcula que cerca de 250 hectares seus estejam envolvidos na querela de títulos duplos. ''Os casos são muito similares e o que queremos é que seja discutida a veracidade dos títulos na Justiça'', diz, completando que as discrepâncias entre os títulos brasileiros e paraguaios são gritantes, o que elevam as suspeitas de fraudes. Ele mostra um exemplo relacionado à uma propriedade de um conhecido brasiguaio. No título paraguaio, a área é localizada em um distrito diferente de onde ela realmente fica (¥acunday em vez de Santa Rita) e o documento de identidade de ''Don Alcides Javier Verdun Flores'' pertenceria a outra pessoa.
Outra fragilidade dos títulos que apareceram só agora é que nenhum deles traz a ''história'' da propriedade. Bem diferente da situação do agricultor Jackson Luciano Bressan, 39, nascido em Pérola do Oeste (PR) mas que vive desde os dois anos no Paraguai. ''Meu pai começou com cinco alqueires'', diz. Hoje a família tem cerca de mil alqueires e produz milho, trigo e soja. Bressan afirma que o pai investigou a origem das terras. ''Temos estudo sobre os donos dos últimos noventa anos'', garante. ''Os títulos deles nascem em 1996 e não têm qualquer histórico anterior'', afirma Bressan, que é membro da Coordenadoria Agrícola, associação de defesa dos produtores da região.
Bressan aponta que a produção conta com a mais moderna tecnologia. Máquinas e pivôs de irrigação são controlados por satélite e calculam a quantidade exata de cada insumo, uniformizando a plantação e minimizando perdas. O resultado aparece na produtividade: aumento de quatro mil para mais de cinco mil kg de soja por hectare. (L.A.)





