Londrina
No mesmo dia em que o dirigente José Rainha, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra(MST), passou por Londrina, proprietários rurais do Parará fundaram na Cidade a base estadual do Movimento Nacional de Produtores, criado em março em Uberlândia (MG) e que já se espalhou pelos estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, além de Paraná e Minas Gerais. O objetivo do movimento, segundo o coordenador nacional William Koury, é organizar a classe produtora brasileira no sentido de cobrar dos governos Estadual e Federal o cumprimento da lei. Em outras palavras: cumprir os mandados de reintegração de posse conquistados por proprietários rurais que tiveram suas terras invadidas.
‘‘Foi apenas uma coincidência’’, garantiu Koury, se referindo a passagem de Rainha pela cidade no mesmo dia da fundação do movimento no Estado. Os produtores confirmaram na reunião de ontem, na Sociedade Rural do Paraná (Parque Ney Braga), o nome do presidente da Sociedade Rural de Paranavaí, Eduardo Baggio, para coordenador estadual do movimento.
William Koury disse que o movimento não representa uma resposta ao MST, mas sim uma ‘‘defesa dos direitos de cidadania’’. ‘‘Se existe uma liminar dada pela Justiça e o estado negligencia, o governo passa a ser responsável por isso’’, aponta. Ele garante que o movimento pretende ir até as últimas consequências para garantir o direito de propriedade, mas sempre dentro da lei. ‘‘Seria o caos se os produtores tivessem que lançar mão de uma polícia rural.’’
Para Koury, não foi à toa que o Paraná se integrou tão cedo ao novo movimento. ‘‘A situação no Paraná é sui generis, causa espanto’’, diz, sobre os cerca de 40 mandatos de reintegração de posse não cumpridos pelo governo, transformando o estado em líder das invasões. O ruralista garante também que o movimento não tem qualquer relação com a União Democrática Ruralista (UDR).
Eduardo Baggio assumiu o novo posto dizendo ser uma pessoa ‘‘com terra e sem estado’’. ‘‘A nossa reivindicação é simples, queremos apenas que o governo cumpra a lei’’, diz. Ele lembra que o estado já foi o maior produtor de grãos do país, com 25% da produção nacional, e que ‘‘não é no cabo da enxada que vamos ser o primeiro novamente’’. Para ele, o governador Jaime Lerner não toma atitudes mais duras contra as invasões por ‘‘medo da mídia internacional’’.
Baggio afirmou ainda que 90% dos invasores são pessoas que não conhecem a terra e que servem apenas como massa de manobra para desestabilizar o governo. Ele acredita ainda que o MST é um movimento orquestrado e que tem como objetivo levar o PT à presidência.

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