Produtores fecham bomba da Sanepar
Telma Elorza
De Londrina
Os agricultores que tiveram prejuízo com o vazamento de esgoto in natura da estação de tratamento da Sanepar para o Córrego Sem Dúvida, na zona norte de Londrina, em outubro do ano passado, cansaram de esperar que a empresa pague indenização pelo acidente. Para forçar a companhia a negociar, os produtores fecharam ontem pela manhã uma bomba de captação de água localizada no Sítio Dois Irmãos e que fornece água para os conjuntos Aquiles Stenghel e Maria Cecília. A promessa dos agricultores é só permitir o funcionamento da bomba depois que a Sanepar pagar a indenização devida.
Segundo um dos proprietários do sítio Dois Irmãos, Kiyoshi Onishi, a situação dos produtores daquela região é crítica, sem dinheiro para pagar sequer a conta de energia elétrica e empregados.
Ele explica que os produtores perderam, na época, toda a produção por causa da contaminação da água do córrego utilizada para irrigar e lavar as hortaliças. A produção contaminada correspondia a 25 mil caixas de cenoura, 4 mil caixas de pimentão e cerca de 70 mil cabeças de repolho, com um prejuízo de mais de R$ 200 mil.
A situação de Nelson Yassuo Koga, proprietário do sítio Catarinense, é ainda pior. Além da perda que teve com quatro mil caixas de pimentão, não pode vender nem a alface hidropônica que produz, apesar ter um laudo do Instituto Ambiental do Paraná dizendo que está tudo bem com a água utilizada que vem de um poço. Agora ninguém quer mais comprar meus produtos porque acreditam que ainda estejam com problemas, diz. Os problemas dos produtores se refletem nos funcionários. Devair Severino, 30 anos, trabalha há 20 no sítio Dois Irmãos e está com medo de perder o emprego.
Segundo Onishi, o poço foi instalado em sua propriedade quando estavam construindo os primeiros conjuntos habitacionais na zona norte, na década de 70, e nunca cobrou aluguel pelo uso do espaço.
O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, ressaltou que a Sanepar ofereceu anteontem aos quatro agricultores prejudicados uma indenização total de R$ 29 mil, mas que não foi aceita. Mesmo assim, ele garantiu que a empresa está aberta para negociação.
Quanto ao fechamento da bomba de captação, Kishima ressaltou que a procuradoria jurídica da Sanepar já foi acionada para tomar as medidas cabíveis. Para que a água não deixe de chegar às torneiras, a companhia está fazendo um remanejamento para aumentar a captação de água do Tibagi naquela região.





