Giovani Ferreira
De Curitiba
Na tarde de ontem os agricultores da comunidade de Fervida, distrito de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, voltaram a protestar contra a exploração do Aquífero Karst. Eles denunciaram o fim de diversos açudes, rios e fontes de água que eram utilizados no processo de irrigação das plantações de hortifrutigranjeiros, atividade agrícola que predomina na região. Os agricultores alegam que a água foi desaparecendo aos poucos, desde o início das obras do aquífero, que estão sendo realizadas há três anos.
José Nicacio Strapasson, presidente da Associação de Produtores Agrícolas de Colombo (Apac), disse que as manifestações devem ser intensificadas, com o objetivo de mobilizar toda a população e os órgãos estaduais em defesa do Karst. Strapasson afirmou que eles não são contra a divisão da água do aquífero com toda a população e Colombo. ‘‘O que nós queremos é uma exploração racional, que não traga prejuízo aos produtores rurais’’, disse. Na avaliação de Strapasson, da maneira como a água está sendo retirada, a Sanepar vai acabar enterrando o Karst.
Os produtores devem procurar o Ministério Público para denunciar a situação e cobrar as medidas judiciais cabíveis. O presidente da Apac explicou que os agricultores estão temendo que os prejuízos no futuro sejam maiores, caso não seja tomada uma providência imediata. Este ano os agricultores que arriscaram plantar já estão contabilizando os prejuízos por causa da falta de água para a irrigação. Strapasson acusa a Sanepar de mentir para os produtores, quando disse que não iria faltar água para a agricultura.
Os agricultores querem que a Sanepar paralise as obras do aquífero até que seja concluído e aprovado o chamado Epia-Rima (Estudo Prévio de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto do Meio Ambiente). Esse estudo, no entender dos produtores, poderia definir uma exploração racional, sem a degradação ambiental e preservando a atividade agrícola desenvolvida em centenas de propriedades rurais na região do Karst.
A comissão de moradores e agricultores que está organizando as manifestações não descarta a possibilidade de entrar com uma ação indenizatória contra a Sanepar. Entre os prejuízos que eles cobram ressarcimento estão as perdas na produção agrícola e as rachaduras nas casas. Além da indenização, eles ainda querem que a Sanepar recupere as áreas degradadas, apresentando soluções para a recuperação dos rios e açudes que foram comprometidos.

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