Um grupo de produtores rurais associados da Cooperativa Agropecuária Mista de Laranjeiras do Sul (Camilas) está bloqueando desde anteontem a entrada da cooperativa e da loja de peças agrícolas e medicamentos veterinários, impedindo que os funcionários entrem para trabalhar.
O objetivo do bloqueio é pressionar o juiz da Vara Cível de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava), Paulo Henrique Betio, a liberar a abertura de uma urna mantida sub júdice desde as eleições para a diretoria da cooperativa, em março deste ano. A urna contém 90 votos de cooperados que foram excluídos da cooperativa por falta de movimentação de mercadorias. Esses cooperados garantiram o direito de votar através de uma liminar na Justiça. Ao todo, são 500 cooperados excluídos.
Os produtores que participam da manifestação fazem parte da chapa Renovação, que concorreu à diretoria. A chapa União venceu por uma diferença de 35 votos, mas não pode ser empossada por causa da urna sub júdice, que pode decidir as eleições a favor da chapa Renovação.
O juiz Paulo Henrique Betio disse que a urna está fechada porque cerca de 100 associados teriam entrado com uma ação cautelar para resguardar os direitos dos cooperados excluídos, garantindo os votos deles. ‘‘Os associados questionam se o fato de não movimentarem mercadorias é motivo para serem desligados da cooperativa’’, ressaltou.
Segundo o juiz, a liberação da urna pode demorar meses, enquanto o processo estiver tramitando na Justiça. ‘‘A cooperativa vai permanecer nessa situação porque tem um processo que vai seguir uma sentença. O fato dos cooperados poderem ou não votar só vai ser decidido no final do processo’’, afirmou.
Betio sugeriu que as duas chapas façam uma fusão para que o andamento normal da cooperativa não seja prejudicado até que saia a solução final para o caso. Ele sugeriru ainda que a cooperativa realize nova eleição para que todos possam votar. ‘‘Isso são apenas sugestões. Não posso obrigar a cooperativa a acatá-las’’, disse
O candidato a vice-presidente na chapa Renovação, Damasceno Bianchini, um dos organizadores do movimento, explicou que a interdição não tem data para acabar. ‘‘Não podemos mais admitir a cooperativa sem uma diretoria e isso só será possível depois que esta urna for aberta’’, disse.
O diretor-presidente interino da cooperativa, Lírio Antonio Parisotto, disse que não entende a decisão dos produtores de bloquearem a entrada da cooperativa.‘‘É lamentável chegar a esse ponto. Estamos procurando comercializar a safra e negociar com os credores, numa tentativa isolada de viabilizar a cooperativa’’, salientou.
Parisotto também acredita que a melhor saída para o impasse é a fusão das duas chapas. O advogado da cooperativa, Marco Aurélio Lopes, está tomando providências legais para garantir que a cooperativa volte a funcionar. Ele entrou com queixa-crime contra os produtores rurais que interditaram a empresa. Lopes deu entrada em uma ação judicial no Fórum de Laranjeiras do Sul para garantir a reabertura da cooperativa.

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