Produtores aprovam conselho executivo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Luka Morais 
Londrina
Representantes de sindicatos rurais patronais, sociedade rural e cooperativas de produtores de várias cidades do Estado aprovaram ontem pela manhã, durante reunião no auditório da Sociedade Rural do Paraná, os membros do conselho executivo da base estadual do Movimento Nacional de Produtores (MNP). Com o lema Lei, Ordem e Paz, o MNP ganhou representação no Estado, durante encontro realizado em Londrina, no último dia 15, quando passava pela Cidade o dirigente José Rainha, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Coordenador do MNP no Paraná, o presidente da Sociedade Rural de Paranavaí, Eduardo Baggio, é também o representante do conselho executivo, órgão que vai definir as ações do movimento. Durante a primeira reunião, ficou acertada audiência com o prefeito Antonio Belinati, marcada para ontem à tarde, para informar o chefe do Executivo sobre as metas e diretrizes do movimento. Como estamos defendendo a lei e a ordem temos certeza de que teremos o apoio do prefeito, disse Baggio.
Também foram distribuídas, durante a reunião, as camisetas estampadas com a bandeira do MNP e a inscrição Chega de invasão. As camisetas serão usadas pelos proprietários rurais durante a manifestação que será realizada em todo Estado neste mês, em dia ainda não definido.
Outra ação do conselho, informa Baggio, serão os contatos com Governo e deputados estaduais. Queremos sensibilizar as autoridades para o problema que hoje ocorre no campo. Os produtores ainda estão em paz, mas falta tranquilidade.
Do governador Jaime Lerner, os ruralistas esperam o cumprimento de ordens judiciais para reintegração de posse. O prazo pedido pelo Governo terminou no dia 19 e nenhuma reintegração foi cumprida aqui na região e no Noroeste, disse Baggio. Segundo ele, há no Estado cerca de 90 áreas invadidadas. Ele afirma que a Justiça já expediu mais de 50 ações de reintegração de posse, que não foram cumpridas.
Representando os donos de mais de 280 mil propriedades rurais do Paraná, Baggio destaca que 85% destas áreas possuem entre um e 80 hectares. Portanto o Paraná não é um Estado de latifundiários, diz. Ele afirma que o MNP não tem nada a ver com a União Democrática Ruralista (UDR) e que o movimento pretende esgotar todas as vias de discussão para evitar o conflito no campo. Somos pela paz e em favor do cumprimento das leis.
Eduardo Baggio afirma que os proprietários rurais da região não devem seguir o exemplo dos fazendeiros de Querência do Norte, que contrataram equipes para garantir a segurança das propriedades, com ordem para atirar nos invasores. Eles sabem que é mais fácil impedir que entrem do que tirá-los de lá depois. Mas nós somos pela paz. Nossa arma é a lei. São os códigos Civil e Penal e a Constituição.
O MNP foi criado em março em Uberlândia (MG) e que já se espalhou por Mato Grosso do Sul e Goiás, além de Paraná e Minas Gerais. O movimento quer cobrar dos governos Estadual e Federal o cumprimento dos mandados de reintegração de posse conquistados por proprietários rurais que tiveram suas terras invadidas.


