Produtor recupera mata ciliar em Jataizinho
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
Enquanto o mundo se prepara para batalhas por água potável neste milênio, o Paraná ainda não descobriu uma fórmula para despertar a sociedade para o problema. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Jorge Mazuchowski, aproximadamente um terço das margens de rios no Estado possui cobertura vegetal. A necessidade de reposição é urgente, mas o problema é a falta de políticas governamentais que estimulem o reflorestamento da mata ciliar, explicou.
Antonio José Vieira é um dos raros exemplos de produtor rural que abraçou a causa. Nos últimos 15 anos eles plantou 200 mil mudas de árvores em sua fazenda, no município de Jataizinho. Elas foram espalhadas em 20 quilômetros nas margens do Rio Tibagi e dos córregos Água da Floresta, Jacutinga e Taquari. Este trabalho é uma parceria com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que fornece as mudas e o suporte técnico.
Cem mil delas são espécies nativas da região Norte e formam a área de preservação permanente exigida pelo Código Florestal. A outra parte é composta por eucaliptos da reserva legal sujeita à exploração comercial vigiada. Se não houver um retorno financeiro é muito difícil convencer o agricultor a plantar árvores. Mesmo assim é preciso muita insistência porque a madeira só vai dar lucro depois de quinze anos e a manutenção fica por conta dele, disse Mazuchowski.
Na Fazenda Santo Onofre, Vieira já plantou sibipiruna, purucaia, ipê roxo, uva japonesa, pitanga, acerola e manga. Atrás desses frutos e do ambiente favorável ele já detectou o aparecimento de capivaras, pacas, garças, mergulhões e várias espécies de aves. Para formar uma árvore gasto, em média, R$ 20,00 no primeiro ano com mão-de-obra para a capina e extermínio das formigas. É um investimento na conservação da propriedade e na qualidade de vida que, bem ou mal, já são cobradas por lei, frisou o agricultor.


