Produtor acusa invasores de atear fogo em pasto
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Marcos Zanatta 
O pecuarista João Carraro, proprietário da Fazenda São Pedro, em Santa Mônica (93 km a oeste de Paranavaí), denunciou ontem que sem-terra estão queimando parte do pasto. Já denunciamos para o Ibama porque queimada é crime ambiental, mas até agora ninguém veio ver as condições da propriedade, reclama. A fazenda tem 978 hectares e foi invadida no último sábado por cerca de 60 famílias. Deve ter umas 180 pessoas e no máximo umas cinco que tenham condições de trabalhar na roça, afirma Carraro.
Ontem ele estava tirando parte dos 1.040 animais da propriedade, mas revela que para retirar o rebanho foi obrigado a ceder 15 bois para os sem-terra. Para não ter confronto e não deixar os animais morrerem de fome, abrimos mão de algumas cabeças.
Ele contou ainda que os sem-terra se apossaram de ferramentas e medicamentos veterinários que estavam na propriedade. Eles pegaram também o trator da fazenda e estão tombando a pastagem, lamentou. Já conseguimos a reintegração de posse e ontem (anteontem) o oficial de justiça ficou uma hora tentando negociar com os líderes, que mandaram ele voltar com a polícia.
A Fazenda São Pedro já foi vistoriada pelo Incra e, apesar de estar com a acupação abaixo das exigências do órgão à época, não foi classificada de improdutiva. Carraro prometeu acionar a União Democrática Ruralista (UDR) para ver qual o caminho a tomar. Na sede do MST em Querência do Norte, de onde devem ter saído os sem-terra que ocuparam a propriedade de Carraro, a informação é que todos os coordenadores do movimento estão viajando.
Invasão Um grupo de 50 sem-terra invadiu ontem a Fazenda Mãe de Deus, em Jardim Olinda (135 km ao norte de Maringá). Os sem-terra chegaram no início da manhã na propriedade, comunicaram ao administrador a intenção de ocupar a área e montaram barracas próximo à sede. Segundo a regional da União Democrática Ruralista (UDR) em Paranavaí, a fazenda pertence a Maria Ângela Gonçalves Pinto e tem 526 alqueires. A UDR não tem o endereço da proprietária.
A maior parte da propriedade é ocupada por pastagens. Cerca de 100 alqueires é de reserva e outros 100 de lavouras. A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) de Paranacity informou que os invasores são da região, que tem outras duas propriedades ocupadas.


