O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mario Navarro, graduou-se na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e, em 1984, orientado pelo professor hoje aposentado José Lopes, atuou na coleta de larvas de mosquito Aedes aegypti encontradas no Cemitério São Pedro, na região central. O resultado da pesquisa foi apresentado no Congresso Brasileiro de Entomologia e o trabalho chegou a ser premiado. "A gente mostrou como acontecia a evolução do mosquito nos vasos do cemitério. Foi o primeiro relato do Aedes aegypti em Londrina. Naquela época, não existia dengue na cidade. Esse deveria ter sido o alerta inicial pela presença do vetor na cidade."
Trinta e três anos depois, Londrina vive às voltas com a dengue e atualmente está em situação de alerta contra a doença. O número de criadouros do Aedes aegypti segue elevado e o índice de infestação do mosquito no município é de 4,1% , chegando a 40% no Parque Industrial Germano Balan (zona norte). Entre agosto de 2016 e 31 de janeiro de 2017, a Sesa registrou 2.802 notificações da dengue em Londrina, com 58 casos confirmados, todos autóctones. Em anos anteriores, a cidade enfrentou epidemia e nos últimos três anos, duas pessoas morreram em decorrência da doença.
Com uma situação tão preocupante, o professor do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da UEL, João Zequi, chama a atenção para o trabalho de pesquisa do larvicida BTi, que tem como princípio ativo a bactéria Bacillum thuringiensis israelense. O produto biológico é altamente seletivo e atua apenas no Aedes aegypti e também no Culex (pernilongo) sem agredir a fauna associada ou o meio ambiente. "O projeto de extensão já tem 30 anos e é feito de forma artesanal. Com o projeto da UFPR, a gente vai poder investir", comentou ele, que é o responsável pelas atividades realizadas em Londrina dentro do projeto coordenador por Navarro.
A ideia é produzir comprimidos para serem colocados no criadouro do Aedes aegypti. Um único comprimido teria duas formas de ação. A primeira liberaria o princípio ativo rapidamente e, após ingeri-lo, a larva do mosquito morreria em 24 horas. A outra forma de agir seria liberar lentamente na água o princípio ativo, mantendo sua eficácia por até 15 dias. Dessa forma, o produto agiria sobre as larvas já instaladas em um criadouro e sobre as que virão a nascer. As pesquisas estão sendo desenvolvidas por professores da UEL em parceria com a UTFPR. "Ainda vamos testar esse produto em campo. A expectativa é que em um ano a gente consiga fechar os testes", afirmou Zequi. "O projeto está caminhando bem. O mais importante é a questão interdisciplinar. Todos os pesquisadores que trabalham com mosquito no Paraná fazem parte do projeto."
Paralelamente ao desenvolvimento do larvicida, a equipe coordenada por Zequi também trabalha no levantamento das espécies de mosquitos peri-urbanos e no desenvolvimento de uma armadilha para monitorar o Aedes aegypti. A intenção é observar se o mosquito está em circulação e a quantidade de ovos depositada pelas fêmeas. "A fêmea é atraída para a armadilha, põe os seus ovos e fica presa. Assim, podemos contar os insetos adultos e obter o índice de infestação mais rápido", explicou o professor. "É importante ressaltar que estamos colocando tudo o que temos de tecnologia pensando no monitoramento e controle do vetor." (S.S.)

mockup