As geadas ocorridas na manhã de ontem, em todo o Estado, foram intensas e prejudicaram o café, as lavouras de inverno (milho safrinha, trigo e feijão de inverno), as hortaliças e as pastagens, culturas que já vinham estressadas em função de uma longa estiagem. As perdas ainda não foram quantificadas, mas os técnicos da Secretaria de Agricultura adiantam que as quebras de produção são irreversíveis.
A previsão do Serviço de Meteorologia do Paraná (Simepar) é de mais geadas para hoje e amanhã. As temperaturas caíram a 2,5 graus negativos na Lapa, 2,8 graus em Cascavel, 3 graus negativos em Pato Branco e 0 grau em Londrina e Maringá. As baixas temperaturas foram prejudiciais para 70% das lavouras de milho safrinha, que estavam em fase de enchimento de grãos, suscetível a baixas temperaturas. Os danos foram maiores nas regiões Oeste, Centro-Oeste e Sudoeste, onde a cultura vinha tendo um bom desempenho.
A situação mais grave ocorreu com o café da região Norte do Paraná, onde os prejuízos maiores irão aparecer na próxima safra. ‘‘As mudas novas das plantas que não foram enterradas certamente foram perdidas, destaca o diretor da Secretaria da Agricultura’’, Richardson de Souza.
Ele disse que a quebra de produção do café das plantas adultas poderá ser melhor avaliada a partir de outubro, quando der a primeira florada da próxima safra. Souza avisa aos produtores que têm plantas novas, que enterrem ou protejam do frio durante os próximos 10 dias.
A queda de temperatura atingiu 35% das lavouras de trigo, que estavam em fase sensível ao frio. A cultura, que já apresenta quebra de 6% com perdas localizadas na região Norte do Paraná por causa da estiagem, agora terá perdas em outras regiões. Foram afetadas as lavouras de trigo das regiões Norte, Oeste, Centro–Oeste e Sudoeste.
As hortaliças da região metropolitana de Curitiba, onde se produz 70% das folhosas cultivadas no Paraná, foram atingidas pelas geadas. O secretário da Agricultura de Colombo, Antonio Ricardo Milgioransa, disse que ainda não dá para quantificar as perdas, mas certamente até as culturas que estavam em ambiente protegido (plasticultura) não escaparam.
O feijão de inverno também foi perdido. A expectativa era colher 11 mil toneladas das lavouras cultivadas nas regiões Norte, Oeste e Noroeste do Estado, mas essa expectativa terá que ser revista, afirmou Souza. Ele lembrou que a pecuária leiteira e de corte devem ter aumento de custos, porque as pastagens foram atingidas e a oferta de massa verde que ainda tinha para os animais foi prejudicada.

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