Emerson Cervi
De Curitiba
A questão energética faz parte das agendas das principais nações do mundo. A proximidade de uma crise no fornecimento de petróleo, que começará a declinar a partir de 2008, e os custos ambientais das fontes de energia não renováveis são responsáveis pelo aumento da importância do assunto nas últimas décadas. Apenas 20% do suprimento total de energia do mundo são de fontes renováveis. Deste total, 14% vêm da biomassa e 6% de fontes hídricas. Para algumas regiões do planeta, as alternativas são limitadas.
No Brasil, ainda não existe uma preocupação com este tema. Continuamos investindo na importação de tecnologias, sem considerar as características da nossa região. Por isso insistimos em matrizes como petróleo, termoelétricas minerais e até mesmo usinas nucleares.
Falta compreender que a criação de tecnologias para explorar fontes próprias de energia é indispensável para o crescimento sustentável de qualquer país, defende o físico José Walter Bautista Vidal. Entre 1850 e 1960, a economia do Brasil foi a que mais cresceu no mundo. Tivemos um incremento de 160% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Em segundo lugar nesse período ficou o Japão, com 60%. Apesar do maior crescimento, o Brasil não conseguiu se desenvolver como o Japão.
A energia, em qualquer uma de suas formas, não pode ser produzida. Ela existe ou não na natureza. O que o homem faz é transformar seu potencial natural. Os principais produtores de tecnologia para exploração de energia estão no hemisfério norte – principalmente Estados Unidos e países da Europa. Para eles, as únicas alternativas viáveis são termoelétricas minerais (em especial o carvão ou gás natural) e as termonucleares (fissão ou fusão do núcleo de urânio) e, em menor escala, a hidrelétrica.
Países do hemisfério sul, com menos tecnologia, ‘importam’ pacotes tecnológicos das nações nórdicas. Com isso, não conseguem explorar como deveriam suas potencialidades próprias. O principal insumo dessa região é o maior índice de insolação anual. O sol gera biomassa vegetal, uma fonte energética limpa ambientalmente. Como preferem importar, esses países não desenvolvem tecnologias para aproveitamento de todo o potencial. Uma das poucas exceções foi o Proálcool. Programa criado pelo governo federal na década de 70 que tinha o objetivo de substituir os derivados de petróleo por álcool vegetal como matriz energética para a frota de veículos automotores do País. No início dos anos 80, mais de 95% da frota de carros produzida no Brasil era a álcool.
Quando o País começou a mostrar uma alternativa independente dos pacotes tecnológicos dos países ricos, o programa foi desmontado. Desde então, continuamos cada vez mais suscetíveis às tecnologias internacionais. Com raras exceções, dependemos de matrizes energéticas de outros países ao mesmo tempo em que não aproveitamos o potencial local. O resultado desse processo é a manutenção do País no grupo dos subdesenvolvidos, independente do crescimento econômico que conseguir alcançar.Os custos ambientais das fontes de energia não renováveis são responsáveis pelo aumento da importância do assunto
DivulgaçãoNOVA TECNOLOGIAEnergia é gerada pelos gases liberados na queima do bagaço da cana em fornos especiais. Atualmente, a produção da Usina de Santa Elisa é de 19 megawatts-hora

mockup