Geadas de alta intensidade registradas ontem no Oeste paranaense podem ter provocado a destruição de parte considerável das lavouras de inverno e pastagens e, com certeza, dizimaram a maior parte dos hortigranjeiros. A temperatura chegou a 4 graus negativos em Cascavel e oscilou nesta faixa durante várias horas até a manhã, com camada de gelo no chão só desfazendo por volta das 10 horas, o que agravou os prejuízos.
Técnicos de órgãos oficiais e cooperativas ainda fazem levantamento de campo para verificar a extensão dos prejuízos. No caso de hortigranjeiros folheosos, onde ocorreram geadas as perdas foram totais. O alface, por exemplo, só terá produção reestabelecida a partir de 40 dias. No trigo, as perdas incidiram sobre aproximadamente 80% dos 203,8 mil hectares de plantio, em todos os municípios.
Havia otimismo entre os triticultores, antes das geadas, pois as condições climáticas eram favoráveis, com chuvas regulares e baixas temperaturas – ideais para a cultura. A área de plantio foi consideravelmente ampliada este ano e a produtividade era estimada em 2.144 quilos por hectare, segundo o agrônomo César Pian, da Secretaria Estadual de Agricultura.
Pian relata que, na região de Cascavel, 50% das plantas estavam na fase de floração e 30% frutificação, ‘‘nos dois casos suscetíveis aos efeitos da geada’’, por isso a projeção de perdas entre os 80% da área plantada. No milho safrinha, estavam naquelas fases 30% dos 379,9 mil hectares de plantio – a produção era inicialmente estimada em 1,08 milhão de toneladas, com produtividade de 2.876 quilos por hectare.

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