Curitiba A Procuradoria Regional do Trabalho deve solicitar hoje, através do Ministério Público (MP) estadual, informações à Prefeitura de Curitiba sobre o destino que será dado as 3,4 mil crianças que frequentam as 34 unidades do Piá Ambiental de Curitiba. O convênio entre as secretarias municipais de Educação e Meio Ambiente e a Sociedade Beneficente Evangélica termina no dia 31 de dezembro e não pode mais ser renovado. Uma audiência pública, realizada, na tarde de ontem, na sede da Procuradoria do Trabalho, discutiu a questão com representantes da Prefeitura e da Sociedade Evangélica.
Trinta e uma funcionárias que trabalhavam como cozinheiras já foram demitidas. ''Essas crianças precisam de atendimento urgente. Tudo indica que os Piás vão fechar as portas. Precisamos garantir uma destinação dessas crianças para outros programas sociais do município'', afirmou a procuradora Margaret Matos de Carvalho.
Os Piás atendem prioritariamente a população de renda mais baixa. São crianças com idades entre quatro e 12 anos e que recebem informações educativas, noções de higiene e sa© úde, participam de programas recreativos e têm formação sobre os valores sociais, econômicos e políticos da sociedade brasileira. Para as crianças de quatro a seis anos, as atividades são em tempo integral. Já as crianças de sete a 12 anos são atendidas no contraturno escolar.
Os meninos e meninas aprendem noções práticas de como fazer hortas, jardins, minhocários, produzir adubo e cultivar ervas medicinais, que são utilizadas pela própria comunidade. Apesar dos objetivos do programa, os resultados não estão sendo alcançados. O monitor do Piá Ambiental Moradias Cajuru, Iberson Moreira de Souza, contou que 100 crianças são atendidas por apenas três funcionários na unidade ambiental. A alimentação é precária. ''As crianças comem menos e muitas vezes passam mal e sofrem de diarréias por causa da péssima alimentação'', destacou ele. As valetas e calhas estão entupidas e a manutenção é precária.
Situação semelhante é enfrentada pelas 60 crianças que frequentam o Piá Ambiental Vila Lorena, no Uberaba. São quatro funcionários, contando com uma cozinheira. O guardião trabalha sem registro. ''Ele recebe uma cesta básica por mês. Não podíamos ficar sem ninguém'', afirmou o diretor da unidade, Heitor Garcia da Rocha. Ele reclama da falta de infra-estrutura. Os vidros da unidade estão quebrados, as torneiras não funcionam, a parte elétrica está deficitária. ''Tive que comprar lâmpadas com o meu dinheiro porque não havia manutenção. Estamos abandonados'', informou ele.

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