Procuradoria pede suspensão de dragagens no Litoral
A Procuradoria Geral da República está entrando com uma liminar pedindo a suspensão das dragagens do canal entre Pontal do Paraná e Matinhos, no Litoral do Estado. O Ministério Público entende que a Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambietal (Suderhsa) estaria devastando a vegetação da região, com as obras de macrodrenagem. Apesar da solicitação da Procuradoria, a execução do canal está suspensa desde maio, quando entidades ambientais questionaram a obra. A Folhaprocurou a Suderhsa, mas não encontrou seus diretores.
Baseado em documentação de entidades ambientais, o Ministério Público considerou que as dragagens estavam atingindo também áreas de preservação, como o Parque Estadual do Rio das Onças. Pelo parecer, o canal está alterando o ecossistema da região, o que poderia causar a morte de parte da flora. De acordo com o Fórum das Entidades Ambientais da Região Metropolitana de Curitiba, que solicitou o pedido, podem ocorrer a médio prazo deslizamentos de terras e queda de árvores, inclusive obstruindo o canal.
De acordo com Teresa Urban, presidente do Fórum, as dragagens estão afetando a fauna e flora também da região Guaraguaçu. Nesse local, bem como no Rio das Onças, ambas no meio da Mata Atlântica, vive o pássaro bicudinho-do-brejo, classificado pelo Ibama como espécie ameaçada de extinção.
Porém a Prefeitura de Pontal do Paraná, uma das regiões que seria beneficiada pela dragagem, considera que a interrupção das obras pode provocar enchentes nos municípios litorâneos. O prefeito Hélio Gaissler de Queiroz informa que 70% das obras do canal já foram concluídas, por isso não teria sentido suspender o serviço. ‘‘A enchente cessou depois do início das obras’’, argumenta.
Ele acrescenta que estão sendo relocadas famílias que vivem exatamente na área de passagem do canal. Ao todo, 170 delas vêm sendo transferidas.

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