Procuradoria investiga denúncias
Deve começar a ser investigado nos próximos dias o relatório entregue ontem à Procuradoria Geral da República no Paraná, falando sobre a situação da comercialização e uso de agrotóxicos na região sudoeste do Estado. Com mais de 1.000 páginas elaboradas pela Associação das Câmaras Municipais do Sudoeste do Paraná - Microrregião 14, o documento traz relatos não só sobre o uso indevido pelos agricultores como também de falhas na própria fabricação dos produtos pelas multinacionais.
Com pesquisas e relatos médicos, os idealizadores do dossiê pretendem que seja cumprida a Legislação Estadual e Federal de Agrotóxicos e, por isso, levaram a experiência até a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão que, segundo a assessoria de imprensa, ontem mesmo já determinou a elaboração de ofícios para os ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente, pedindo uma posição com relação à denúncia feita pelo dossiê.
De acordo com os registros do CIT - o Centro de Informações Toxicológicas da Secretaria Estadual de Saúde - em 97 e 98 foram contabilizados pelo menos 1.293 acidentes de intoxicação por agrotóxico.
É realmente um dado alarmante, assume a bióloga e coordenadora do CIT, Gisélia Burigo Guimarães Rubio. Segundo ela, pode havar mais casos e não são raros as situações em que os agricultores não procuram o serviço de saúde, por já acharem normal sentir dores de cabeça, enjôos e queimações na pele, quando na verdade já estão intoxicados.
Das 1.293 intoxicações registradas no Paraná, 50% foram de agricultores na própria lavoura, 30% na ingestão em tentativa de suicídio e 17% em acidentes envolvendo crianças que pegaram embalagens ou que se contaminaram através da reutilização delas. Questões como essas, na opinião do médico mastologista Cláudio Paciornik, poderiam ser resolvidas facilmente se não houvesse a procura exagerada pelo lucro nas plantações.
Autor de uma pesquisa feita ainda na década de 70, sobre a influência dos agrotóxicos como promotores no aparecimento do câncer, o médico garante que os agrotóxicos afetam não só os agricultores que lidam diretamente com eles, mas também quem consome os produtos. Segundo ele, na pesquisa que fez com o sangue de 20 mulheres com câncer de mama, foram constatados níveis acima do tolerável de organoclorados.ArquivoVeneno atinge não só quem o manipula, mas também quem come alimentoVivian de Albuquerque





