Procuradoria indicia mais duas prefeituras
O procurador da República de Cascavel, Celso Antônio Três, pediu ontem abertura de inquérito na Polícia Federal para que se apure a denúncia de fraudes cometidas pelas prefeituras de Cascavel e Toledo. De acordo com auditorias realizadas pela Procuradoria da República no Paraná, as duas administrações, entre outras, teriam cobrado indevidamente por serviços realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), entre 1994 e 1995.
A procuradoria também já impetrou ações civis públicas na Justiça Federal para que as prefeituras devolvam à União o dinheiro que receberam a mais. A administração de Cascavel é acusada de ter se apropriado de R$ 436.465,62 na cobrança de 103.175 procedimentos médicos que não comprovou. Já Toledo, conforme a procuradoria, terá de devolver R$ 188.797,44, recebidos com a cobrança de inspeções sanitárias cobradas a cada 15 minutos, e não por visita, como ditam as normas do setor.
Celso Três explica que não há data para o encerramento das ações. Com relação à parte criminal, ele acredita que será difícil punir os responsáveis pelas possíveis fraudes. É que os delitos foram praticados com base em atos ilegais normativos da Secretaria Estadual da Saúde que violam o SUS, explica. Segundo o procurador, com as ações, as prefeituras terão de devolver o dinheiro, mas nos inquéritos policiais elas farão a defesa fundamentada nas normas que autorizavam as cobranças irregulares.
Anteontem, a Procuradoria da República impetrou outras duas ações civis públicas contra a Prefeitura de Ponta Grossa, que deve R$ 543.646,78, e contra o Consórcio Intermunicipal de Saúde das Comunidades de Campo Mourão, que integra 21 municípios e que recebeu R$ 88 mil a mais. A primeira é acusada de cobrar por 165.941 procedimentos, mas conseguiu comprovar apenas 22.788, e o segundo por realizar determinado procedimento e cobrar por outros mais onerosos.
A próxima será a Prefeitura de Londrina a ser citada na Justiça Federal. Ela é acusada de fraudar o SUS em R$ 357.280,90. Com isso, sobe para dez o número de envolvidos na fraude que já estão com seus nomes na Justiça. Anteriormente, a procuradora Antônia Lélia Neves Sanches já havia impetrado ações contra as prefeituras de Araucária, Guarapuava, Campo Largo Apucarana e contra a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) Saza Lates, de Curitiba. A procuradoria investigou os 51 maiores prestadores de serviços do SUS no Paraná.





