Procuradoria apura desvio na Cohafoz
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O procurador da República em Foz do Iguaçu, Alexandre Porciúncula, pediu ontem a abertura de inquérito policial federal para apurar a denúncia do desvio de aproximadamente R$ 400 mil dos cofres da extinta Companhia de Habitação do município (Cohafoz). O crime teria sido cometido por Luiz Carlos Resquetti, durante o período em que ele ocupou o cargo de assessor financeiro do órgão. Procurado pela Folha ontem, Resquetti não foi localizado.
O suposto desvio foi apontado em uma sindicância da Procuradoria-Geral do Município, após denúncia feita por Norival Nunes da Silva liquidante da Cohafoz. A sindicância apurou que Resquetti teria fraudado os cheques nominais emitidos pela Cohafoz para o pagamento ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), depois de assinados por diretores da companhia.
No campo destinado ao nome do beneficiado, ele é acusado de apagar a sigla INSS, substituindo-a por quatro x (para disfarçar a rasura), em seguida escrever seu nome ou de outras duas empresas ligadas a ele e completar o campo com outros quatro x. Para comprovar o pagamento não efetuado, as guias do INSS eram autenticadas em uma máquina registradora da própria Cohafoz e ainda recebiam carimbos falsificados da Caixa Econômica Federal o que determinou a investigação na esfera federal.
Resquetti também teria desviado recursos do Fundo Municipal da Habitação (Fundhab), do Imposto de Renda de alguns funcionários e de outros impostos e serviços pagos pelo órgão. De acordo com a sindicância, o funcionário estaria desviando dinheiro desde 1995, quando foi contratado para prestar o serviço.
Segundo o procurador, a quebra de sigilo bancário e da declaração do Imposto de Renda de Resquetti deverá acontecer assim que as investigações policiais forem iniciadas. O rastreamento da conta corrente do funcionário pode indicar a participação de outras pessoas.
A investigação vai determinar os crimes a que Resquetti deverá responder. Inicialmente, ele pode ser indiciado por peculato (desvio de dinheiro por funcionário público), com penas que variam de dois a 12 anos de prisão, e por falsificação de documentos, que tem pena prevista entre um e cinco anos de prisão.
Resquetti atualmente trabalha no Departamento Municipal de Habitação e está de férias. A Folha tentou localizá-lo ontem, mas seu celular estava desligado.





