O procurador da República em Cascavel, Celso Antonio Três, está recebendo apoio público de outros procuradores da área criminal no Paraná pelo trabalho que vem desenvolvendo na prevenção e repressão de abusos e ilícitos cometidos por funcionários públicos. A manifestação está expressa no documento ‘‘Carta à População’’. Celso Antonio Três requisitou inquérito da Polícia Federal contra policiais civis de Cascavel, acusados de extorquir compristas.
A carta está sendo divulgada devido às críticas feitas por dirigentes e advogado da União da Polícia Civil do Paraná e do Sindicato das Classes Policiais Civis contra o procurador. O caso teve origem no dia 8, quando 22 compristas de Minas Gerais que retornavam do Paraguai de ônibus denunciaram a extorsão, por quatro policiais. Eles teriam pedido R$ 5 mil - depois teriam reduzido para R$ 2 mil e mais as mercadorias - para liberar os compristas, que se negaram a pagar.
Baseado em depoimentos, o procurador da República concluiu que os policiais teriam praticado crimes de extorsão e facilitação ao contrabando. As entidades que representam os policiais contestaram Celso Antonio Três, que chamou os acusados de ‘‘delinquentes’’ e disse que policiais civis vão para rodovias ‘‘geralmente para extorquir’’. Sindicato e União da Polícia Civil anunciaram que formalizariam representação contra o procurador.
Os procuradores esclarecem que se trata de ‘‘uma filosofia institucional’’ e argumentam que ‘‘onde houver violação ao Direito e desrespeito à Justiça, ali certamente estará o Ministério Público’’. Além do inquérito requisitado por Celso Antonio Três à Polícia Federal, também a Corregedoria de Polícia Civil designou um delegado especial - Décio Jorge de Almeida, de Curitiba - para uma ‘‘investigação preliminar’’ sobre o caso.

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