Procuradores apóiam ação contra abusos de policiais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de novembro de 1997
Cascavel 
O procurador da República em Cascavel, Celso Antonio Três, está recebendo apoio público de outros procuradores da área criminal no Paraná pelo trabalho que vem desenvolvendo na prevenção e repressão de abusos e ilícitos cometidos por funcionários públicos. A manifestação está expressa no documento Carta à População. Celso Antonio Três requisitou inquérito da Polícia Federal contra policiais civis de Cascavel, acusados de extorquir compristas.
A carta está sendo divulgada devido às críticas feitas por dirigentes e advogado da União da Polícia Civil do Paraná e do Sindicato das Classes Policiais Civis contra o procurador. O caso teve origem no dia 8, quando 22 compristas de Minas Gerais que retornavam do Paraguai de ônibus denunciaram a extorsão, por quatro policiais. Eles teriam pedido R$ 5 mil - depois teriam reduzido para R$ 2 mil e mais as mercadorias - para liberar os compristas, que se negaram a pagar.
Baseado em depoimentos, o procurador da República concluiu que os policiais teriam praticado crimes de extorsão e facilitação ao contrabando. As entidades que representam os policiais contestaram Celso Antonio Três, que chamou os acusados de delinquentes e disse que policiais civis vão para rodovias geralmente para extorquir. Sindicato e União da Polícia Civil anunciaram que formalizariam representação contra o procurador.
Os procuradores esclarecem que se trata de uma filosofia institucional e argumentam que onde houver violação ao Direito e desrespeito à Justiça, ali certamente estará o Ministério Público. Além do inquérito requisitado por Celso Antonio Três à Polícia Federal, também a Corregedoria de Polícia Civil designou um delegado especial - Décio Jorge de Almeida, de Curitiba - para uma investigação preliminar sobre o caso.


