O procurador Regional da República, Mário Ferreira Leite, deve decidir na próxima semana a situação dos vendedores ambulantes que ocupam um espaço provisório na Avenida São Paulo, área central de Londrina. Ontem venceu o prazo dado por ele para que os camelôs apresentassem a documentação necessária para legalizar a situação deles junto à Receita Federal. Ninguém conseguiu cumprir o prazo. O procurador está trabalhando em Maringá e volta a Londrina na segunda-feira.
O procurador havia encaminhado um ofício à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) determinando um prazo de 40 dias para que os camelôs fossem penalizados com apreensão de material e lacre das barracas. Ontem, Leite disse que não vai tomar nenhuma medida antes de conversar com a comissão formada anteontem, por representantes da Câmara de Vereadores, CMTU e ambulantes.
‘‘Estamos marcando uma reunião para terça-feira e só vou agir depois disso’’, garantiu o procurador, que não vê com simpatia a possibilidade de prorrogar o prazo para que os camelôs continuem trabalhando na avenida. ‘‘A possibilidade de eu concordar com isso é remota’’, afirmou. ‘‘Eles estão lá desde agosto e tiveram tempo suficiente para regularizar a situação. Se eles já tivessem entrado com a documentação eu poderia ter um pouco mais de paciência’’.
Durante a reunião, a comissão pretende pedir que o procurador espere a prefeitura encontrar um local definitivo para os ambulantes. ‘‘Estamos dispostos a firmar um termo de conduta nos comprometendo a levar esse pessoal todo para o Shopping Popular’’, adiantou o presidente da CMTU, Wilson Sella.
No entanto, essa questão ainda está indefinida. A empresa proprietária de um imóvel na esquina da Rua Bahia com a Leste-Oeste não está interessada em alugar o terreno. O local estava sendo cogitado para a construção do Shopping Popular. Sella afirmou ontem, no final da tarde, que fez uma consulta junto ao corretor que estava intermediando a negociação. ‘‘Não há interesse em negociar’’, disse o presidente da CMTU.
Na segunda-feira, Sella se reunirá com o prefeito Nedson Micheleti (PT) para buscar outras alternativas. Entre elas está a desapropriação do terreno, procurar outro imóvel ou ainda a escolha de um terreno público.
Os vendedores ambulantes ameaçam entrar na Justiça contra a prefeitura caso a procuradoria decida mandar lacrar as barracas e apreender as mercadorias. Eles dizem estar muito irritados com a CMTU e que foram ‘‘enrolados’’ porque a companhia não liberou o alvará. ‘‘Protocolamos um pedido na CMTU há 3 meses, mas foi indeferido. Se for necessário vamos pedir para a Justiça obrigar a prefeitura a nos dar os alvarás’’, disse o presidente da Organização Não Governamental (ONG) Canãa, Rogerio Gonsalez do Nascimento. A ONG representa os camelôs. ‘‘Nós queremos legalizar nossa situação e o município não permite. Isso é um absurdo’’, reclamou.
Sella reafirmou ontem que não vai conceder os alvarás. ‘‘Não tem lógica conceder alvarás provisórios, já que esse pessoal não vai poder ficar na avenida para sempre. Não vou tratar esse assunto individualmente, precisamos de uma solução global e definitiva’’, disse. (colaborou Érika Pelegrino).

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