Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O procurador da República em Foz do Iguaçu Néviton Batista Guedes disse ontem que o Ministério Público Federal vai abrir inquérito policial contra autoridades que estariam se recusando a cumprir ordem de fechamento da Estrada do Colono, que liga as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, cortando o Parque Nacional do Iguaçu em 17,6 quilômetros. A via está aberta ilegalmente há dois anos.
Guedes não citou nomes dos eventuais processados, mas afirmou que os comandantes regionais e estaduais das polícias Federal e Rodoviária Federal e da Marinha poderão ser indiciados. ‘‘Essas autoridades estão se recusando a cumprir uma decisão judicial’’, justificou Guedes.
No último dia 17, a juíza Marga Inge Tessler, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, expediu ordem para a desocupação da via. Ela reiterou a sentença da Justiça Federal, de setembro de 1986, que determinou o fechamento da Estrada do Colono, sob a alegação de que seu funcionamento ameaçava a sobrevivência de animais e facilitava a extração ilegal de palmito no parque.
Desde a decisão, os três procuradores da República em Foz – Guedes especialmente – pressionam as forças policiais federais na região para cumprir essa ordem. Segundo Guedes, as polícias Federal e Rodoviária Federal alegam não ter efetivo suficiente para fazer o despejo dos invasores.
Procurado pela Folha, o delegado-chefe da PF em Foz, Eudes Carneiro, disse que o assunto só poderia ser comentado pelo superintendente estadual do órgão, em Curitiba, Luiz Glicério. O inspetor da PRF em Foz, Chafir Antônio Leôncio, não foi encontrado na sede do órgão durante a tarde de ontem.
A ameaça de Guedes é uma reação à iniciativa da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), de montar acampamentos em barracões de madeira nas extremidades do parque para evitar que uma eventual operação para a tomada da estrada seja feita à noite, quando ninguém permanecia no local. A montagem dos acampamentos começou na segunda-feira. Além das autoridades, Guedes ameaça processar os invasores e até os usuários da estrada.

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