Procurador investigará crime de prevaricação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
O procurador do Estado Dartagnan Cadilhe Abilhoa chega hoje em Londrina para analisar as denúncias do promotor da 3ª Vara Criminal, Sérgio Correia Siqueira, sobre a possibilidade de que policiais civis estejam cometendo crime de prevaricação por não autuar em flagrantes acusados de diversos crimes. Os acusados foram presos por policiais militares, levados às delegacias e liberados por delegados e escrivães.
O promotor estranhou a queda no índice de comunicações de flagrantes que, obrigatoriamente, têm que ser feitas à Justiça, entre os dias 22 e 29 de agosto, durante o seu plantão. Normalmente, são encaminhadas de 15 a 20 comunicações por semana, mas ele recebeu apenas quatro.
Siqueira chegou à hipótese de ter ocorrido prevaricação após comparar os registros das fichas de atendimentos de ocorrências (Faocs) da PM da mesma semana, com os flagrantes recebidos da Polícia Civil. Nas Faocs existiam casos de furtos, roubos e até de atos libidinosos contra menores, em que os acusados deveriam ser autuados em flagrante pela autoridade policial. No entanto, isso não aconteceu, afirma o promotor.
Diante da suspeita, o promotor solicitou ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, na última quinta-feira, que entregasse os flagrantes que deixaram de ser feitos. Mas ele recebeu respostas referentes a apenas seis casos. Das seis respostas dadas pela Polícia Civil, nenhuma veio com o respectivo flagrante que solicitei. Mandaram apenas justificativas contraditórias e evasivas, diz o promotor.
Sérgio Siqueira enfatiza que a sua maior preocupação é com a segurança da comunidade londrinense. Um dos maiores problemas para o aumento da criminalidade é a impunidade. Devemos ter um cuidado muito grande para que isso não ocorra e se institucionalize.
O promotor disse que continua aguardando os flagrantes que a Polícia Civil deixou de fazer durante o seu plantão.


