O procurador da República, Mário Ferreira Leite, vai aprofundar as investigações sobre as causas da suposta ‘‘omissão ou conivência’’ por parte da fiscalização da Subdelegacia Regional do Trabalho de Londrina com empresas do setor moveleiro de Arapongas. Segundo Leite, há ‘‘crescentes indícios de irregularidades e com fundo de ilegalidade’’. Ontem, três funcionários de uma indústria daquele município foram ouvidos pelo Ministério Público Federal, onde endossaram a denúncia apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Móveis de Arapongas, quanto a pressões impostas pela direção da empresa para alterar o sistema de horário de trabalho.
Segundo o sindicalista Manoel Francisco da Silva, os 350 funcionários da Aramóveis estão sendo ‘‘coagidos a assinar um novo contrato que altera a carga horária de 44 horas semanais distribuídas de segunda à sexta-feira, ampliando para o sábado’’. Ele denuncia ainda que a DRT de Londrina foi acionada diversas vezes para interceder sobre a questão, mas a fiscalização mostrou-se ‘‘omissa’’. ‘‘Na terça-feira, fiscais da DRT estiveram na empresa. E de lá para cá as pressões sobre os empregados aumentou mais ainda. Eles (funcionários) estão sendo coagidos a aderir ao novo sistema sob a pressão de perderem seus empregos’’, adiantou Silva.
Os três funcionários da empresa confirmaram ao procurador as denúncias. ‘‘A fiscalização chegou na empresa por volta das 17 horas de terça-feira, já no final do expediente e ouviram apenas encarregados de setores, todos indicados pela direção’’, disse o operador de furadeira Manoel Dias de Oliveira, 48 anos, que se negou a assinar o contrato. ‘‘No Departamento Pessoal somos informados de que não somos obrigados a assinar o novo contrato, mas que há muita gente lá fora disposta a trabalhar no sábado’’, completou Oliveira.
Leite pretende ouvir agora os fiscais da DRT de Londrina, além de empresários e, eventualmente, mais trabalhadores e sindicalistas. Numa etapa posterior, garantiu, o delegado regional do Trabalho no Paraná, Celso Costa, também será ouvido. ‘‘Existem indícios crescentes de uma meia-articulação entre empresas e a ficalização no sentido de não se apurar as irregularidades no tocante aos direitos trabalhistas’’, adiantou o procurador.

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