Gerson da Luz Souza
De Cascavel
Especial para a Folha
O procurador da República Celso Antônio Três fez ontem uma operação ‘‘limpa gavetas’’ em seu gabinete, em Cascavel. Ele está deixando a cidade, a pedido, após quase três anos de atividade, para assumir a mesma função em Caxias do Sul (RS). O procurador teve uma passagem histórica por Cascavel, conquistando alto conceito na opinião pública, por sua atuação firme em casos de grande repercussão, aos quais sempre fez questão de dar publicidade.
As investigações do procurador Celso Três resultaram em centenas de denúncias, que segundo ele, chegavam a 15 por semana. Entre os de maior repercusão está o caso da lavagem de R$ 450 milhões que passaram por contas laranjas. O caso rendeu 25 processos, totalizando 40 réus (16 com bens sequestrados pela Justiça). Três chegou a prestar informações sobre o caso à CPI do Sistema Financeiro e do Narcotráfico, e à CEI da Assembléia Legislativa que investiga o crime organizado no Paraná.
Outro caso de repercussão é o golpe ‘‘3x1’’ (troca de dinheiro falso por verdadeiro), no qual policiais civis foram denunciados, e ainda o do achaque a sacoleiros, também envolvendo policiais civis, que segundo Três, era ‘‘um delito institucionalizado’’. Para Três, a publicidade obriga a autoridade a prestar contas, pode resultar na obtenção de provas e inibe de pronto o crime. ‘‘Foi o que aconteceu no caso do achaque, que, embora ainda em trâmite processual, já teve como resultado o fim dessa prática’’, afirma. Além disso, observa, a publicidade é constitucional, pois ‘‘a sociedade tem direito de saber da existência de um processo, seu teor e quem é denunciado’’.
Celso Três foi alvo de dois atentados intimidatórios em Cascavel. Na primeira situação, em abril do ano passado, seu carro, estacionado em frente à residência, foi alvejado por um tiro de espinguarda calibre 12. Mais recentemente, duas cartas-bomba foram endereçadas a ele, com remetente e endereço fictícios. As bombas foram desativadas pela Polícia Federal, ainda na agência dos Correios.
O procurador requereu a transferência meses antes do segundo atentado, por ter origem no RS, onde possui moradia própria. Ele entende que a fixação por longo tempo é ‘‘fonte de vícios indesejáveis’’. ‘‘Fiquei quase três anos em Cascavel. O ciclo já está completo’’, disse. Três destacou que Cristiana Koliski, que o substituirá em janeiro, deverá dar sequência ao trabalho. Ela foi promotora estadual em São José dos Pinhais e, recentemente, foi nomeada procuradora federal.Após três anos de atuação com repercussão nacional, Celso Três prepara retorno ao Rio Grande do Sul
Arquivo FolhaTÁTICATrês fez questão de tornar públicas as denúncias de crimes envolvendo policiais: ‘‘A publicidade inibe o crime e facilita a obtenção de provas’’

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