O procurador do Trabalho da 9ª Região, Gláucio Araújo de Oliveira, de Curitiba, deve ir a Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina) no fim de semana para verificar a situação dos trabalhadores da Usina Central do Paraná, produtora de açúcar e álcool. Oliveira decidiu ir até a cidade depois de ter sido informado sobre a prisão em flagrante dos sindicalistas Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero. O procurador do Ministério Público Federal quer saber se o fato se refletirá na mobilização dos funcionários da empresa.
Gláucio de Oliveira esteve em Porecatu no fim de janeiro apurando irregularidades denunciadas por empregados da usina. Na época, os funcionários entregaram ao procurador um abaixo-assinado exigindo a destituição da atuais diretorias dos sindicatos dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e dos Trabalhadores Rurais de Porecatu, acusados de ficar ao lado da usina e não defender os interesses dos empregados. Com a prisão dos sindicalistas, que coordenaram os 20 dias de greve deflagrada em janeiro, o procurador teme que os funcionários possam ficar sem liderança.
O procurador deve encaminhar ainda nesta semana o abaixo-assinado dos trabalhadores à Federação dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação, com sede em Curitiba. Amanhã, Oliveira estará em Maringá participando de uma audiência pública sobre o turno ‘‘cinco por um’’ dos cortadores de cana da região do noroeste. Nesse sistema, são cinco dias de trabalho e uma folga independente do dia da semana em que cair o descanso. Somente a Usina Central do Paraná emprega cerca de 7,5 mil trabalhadores de Porecatu e região no corte de cana, iniciado anteontem.
O padre de Porecatu, Giancarlo Villa, disse que ele e a cidade não entenderam a prisão dos sindicalistas. ‘‘Não está claro para ninguém’’, comentou. Villa afirmou que é difícil prever se o movimento sindical dos trabalhadores será neutralizado com a prisão das lideranças que coordenaram a greve de janeiro.

mockup