Procurador denuncia outros policiais
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Paulo Pegoraro 
O promotor federal Celso Antônio Três distribuiu nota ontem afirmando que a Procuradoria da República em Cascavel, da qual é titular, jamais capitulará em suas atribuições constitucionais, inclusive em questões relacionadas a policiais. Em nota distribuída ontem, ele fez novas denúncias contra policiais civis. A nota é uma reação formal contra acusações que lhe foram feitas anteontem pelo advogado de um investigador de Polícia acusado de envolvimento no golpe 3x1 (troca de notas falsas ou de imitação por verdadeiras).
Segundo o advogado Carlos Costa, o procurador suprimiu peças do inquérito que requisitou à Polícia Federal para incriminar Gilberto Ardanaz, 40 anos, forçando a manutenção do caso na esfera federal, evitando que fosse para a estadual (Ministério Público e Polícia Civil). Policiais denunciados por Três se dizem perseguidos e execrados publicamente. Costa disse que apresentará queixa-crime por calúnia, injúria e difamação, e representará contra Três na Corregedoria de Justiça Federal.
O procurador informou em sua nota o ajuizamento de novas ações na Justiça Federal contra dez policiais e colaboradores da Polícia - que classifica como bate-pau - de várias cidades da região. Entre as acusações estão abuso de autoridade, usurpação de função pública, abordagem a sacoleiros e desaparecimento de um automóvel BMW apreendido e que deveria ter sido conduzido por eles à Vara de Justiça Federal de Foz do Iguaçu. Outra ação é contra dois investigadores por envolvimento no golpe 3x1.
Três informou também que pediu quebra de sigilo bancário de outros policiais, cujos sinais exteriores de riqueza são acintosa e escandalosamente superiores aos seus ganhos ilícitos, e que divulgará todos os nomes no momento correto. Segundo ele, estes atos do Ministério Público Federal não são resposta às acusações do advogado Carlos Costa - um estardalhaço para questionar apenas a competência processual -, porque eles vêm se desdobrando em apurações de longa data.
A supressão de peças citada pelo advogado teria sido admitida por Três em conversa informal, gravada sem que ele soubesse, com o repórter policial André Rocha, de Cascavel. O procurador admite ter deixado de anexar ao inquérito peças que poderiam favorecer os policiais, o que, segundo ele, é o lógico para um acusador, como é o meu caso.
Cópia da gravação foi passada a Gilberto Ardanaz, e deste para o advogado. Na nota de ontem, Três cita que suas ações são afirmação clara e categórica, inclusive a quem não se contenta em ouvir, preferindo mercantilizar a gravação. A Folha procurou André Rocha, mas ele não foi localizado nem deu retorno à ligação.


