Procurador denuncia corrupção policial
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoO procurador Celso Antonio TrêsO procurador da República Celso Antonio Três disse ontem em Cascavel que policiais civis que agem em rodovias invariavelmente o fazem com a finalidade de extorquir. O representante do Ministério Público lembrou que ações em rodovia são próprias das polícias Rodoviária e Militar, além da Federal, e afirmou que as alegações sobre busca de drogas ou armas não têm nenhuma solidez, basta ver que raramente fazem alguma apreensão.
As declarações de Celso Antonio Três foram motivadas por denúncia de extorsão contra quatro agentes da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, feitas na noite de sábado por 22 compristas de Minas Gerais. Eles retornavam do Paraguai em um ônibus da empresa Imperial que foi barrado na BR-277 e conduzido pelos policiais até a SDP, onde estes pediram R$ 5 mil para liberá-los. O procurador já identificou três dos quatro agentes: Gilberto Ardanez, Nelson Ferreira de Moraes e Paulo César Vieira.
Depoimentos dos compristas indicam que houve negociação do guia do grupo e do motorista do ônibus com os policiais, que teriam baixado o pedido para R$ 2 mil mais mercadorias como telefones celulares e uísque. Os compristas só conseguiram juntar R$ 1,46 mil, o que não foi aceito. José Renato Fernandes de Souza, de Coronel Fabriciano (MG), pediu então para ser levado ao caixa 24 horas de um banco para sacar a diferença.
Em depoimento, Souza afirma que um dos agentes disse que ligou para o delegado - não identificado - que não teria autorizado o saque. Depois disso não houve mais diálogo, e ônibus e os compristas foram conduzidos à Receita Federal, onde verificou-se que apenas dois tinham pequeno excesso de mercadorias. Eles relataram os fatos a auditores fiscais, que imediatamente chamaram o procurador.
Segundo Celso Antonio Três, as 22 pessoas deram depoimentos idênticos, e os fatos são incontestes. O procurador convocou a Polícia Federal para o desdobramento do caso, porque ele correrá na Justiça Federal, uma vez que, além da extorsão, está caracterizada a facilitação de contrabando pelos policiais, ao exigirem dinheiro para não fazer apreensões. Três afirmou que extorsões praticadas por policiais ocorrem todo dia nas rodovias, mas lamentavelmente as vítimas não têm coragem de denunciar.
Para o procurador, se a cúpula da Polícia sabe disso e nada faz, é conivente, e se não sabe então é incompetente e não pode estar nos cargos.
Celso Antonio Três diz que é necessária uma Corregedoria da Polícia forte. Ele ressalta que não está atacando a instituição policial. O pior bandido é o que se utiliza da instituição para cometer o crime.


