Procurador denuncia ameaça de morte
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 1998
Edna Mendes 
O procurador do Estado, Paulo Roberto Gomes Júnior, que denunciou anteontem em Foz do Iguaçu, um esquema de corrupção envolvendo oficiais de Justiça, recebeu ameaças de morte na noite de terça-feira através de seu telefone celular.
Segundo Gomes, a ameaça foi feita por volta das 21h30, por um homem. Ele me disse que a minha hora iria chegar. A voz parecia ser de uma pessoa de mais idade, afirmou.
O procurador está sob proteção policial desde anteontem, mas depois da ameaça de morte a polícia reforçou a segurança. Gomes passou a dormir em hotéis para evitar atentados.
Gomes disse ontem à Folha que as ameaças não irão fazer com que ele desista de investigar irregularidades. Vou continuar investigando e denunciando tudo aquilo que eu tiver provas.
O procurador denunciou que os oficiais de Justiça Mauro Junges, Luis Carlos Barbosa, Claudio Rogério Alexandre e Divonsir Machado estariam cobrando propinas para fazer diligências - entrega de notificações - e também emitindo certidões falsas sobre as diligências realizadas.
Ontem à tarde, o juiz Marcelo Gobbo Dalla Déa, diretor do Fórum, afastou das funções os oficiais Mauro Junges, Cláudio Rogério Alexandre e Divonsir Machado. O oficial Luis Carlos Barbosa não foi afastado porque é concursado.
Gomes analisou autos de execuções fiscais durante vários meses e reuniu provas de que os oficiais estariam dificultando o andamento de processos. Entre as provas estão recibos, cópias de certidões, além de imagens feitas por uma emissora de televisão em que dois oficiais confessam as irregularidades. Segundo eles, os advogados que não pagavam o que eles pediam entravam numa lista negra e tinham os processos atrasados.
O advogado Décio Ribeiro Júnior afirmou ao procurador que foi obrigado a pagar R$ 500,00 ao oficial Luís Carlos Barbosa para que ele entregasse um mandado de busca e apreensão com urgência. Barbosa teria pedido R$ 800,00 e, depois de muitas negociações, teria diminuído para R$ 500,00, segundo declarações de Ribeiro à Procuradoria.
O presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça do Paraná, Amauri Fernandes, informou que a cobrança de diligências é uma prática comum entre oficiais de Justiça de todo o Estado. O salário de um oficial de Justiça é de R$ 1.250,00. Eles recebem outras quantias estipuladas pela Justiça para cada tipo de diligência.
Gomes entregou um dossiê ao juiz Marcelo Gobbo Dalla Déa, que abriu processo administrativo para apurar as denúncias.


