Procurador barra policial em rodovia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
O procurador da República Celso Antonio Três disse ontem que requisitará inquérito à Polícia Federal toda vez que policiais civis realizarem ações contra compristas e outros viajantes nos 50 municípios do Oeste sob jurisdição da Procuradoria de Cascavel. Celso Antonio salientou que este tipo de ação é responsabilidade das polícias Rodoviária ou Militar. Segundo o procurador, policiais civis vão às rodovias quase sempre para extorquir.
No mínimo, eles serão enquadrados por abuso de autoridade, garantiu. Todas as pessoas que forem abordadas devem avisar a Procuradoria para as providências. A decisão é mais um dos desdobramentos da denúncia feita sábado, em Cascavel, por 22 compristas de Minas Gerais que estavam num ônibus retornando de Ciudad del Este (Paraguai). Eles denunciaram que quatro agentes da 15ª SDP exigiram R$ 5 mil - depois reduzindo para R$ 2 mil e mercadorias - para deixá-los prosseguir.
Os compristas não tinham todo o dinheiro e não quiseram entregar mercadorias. Depois de horas, foram levados para a Receita Federal, onde relataram o caso a auditores. O procurador da República foi chamado e todos então prestaram depoimentos. O inquérito será conduzido pela Polícia Federal porque, além de extorsão, ocorreu o crime de facilitação ao contrabando.
Os policiais pediram dinheiro para deixar passar o que até então era apenas um presumível excesso de mercadorias, observa. Na Receita, comprovou-se que apenas dois compristas tinham ultrapassado a cota permitida para mercadorias do Paraguai.
O procurador está encaminhando cópias dos depoimentos à Corregedoria da Polícia Civil para providências cabíveis. Se receber informação de que os denunciantes sofreram qualquer intimidação por parte dos policiais, pedirei a prisão preventiva.
Segundo Celso Antonio, alegações de agentes de que agem em rodovia à procura de drogas ou armas geralmente são subterfúgio para a extorsão. Na 15ª SDP, o delegado-chefe Osnildo Carneiro distribuiu nota com sua posição oficial sobre o caso.
Ele afirma que os agentes detiveram o ônibus porque o motorista fez uma manobra estranha, retornando quando deparou-se com a viatura. O motorista teria dito que pensou se tratar de um carro da Receita Federal. Os policiais deduziram que alguma coisa irregular existia.
Segundo a nota do delegado, o guia turístico relatou aos passageiros que os policiais haviam pedido dinheiro, sem dizer quanto e sem identificar os agentes. Celso Antonio, porém, diz não haver dúvida de que três são Gilberto Ardanez, Nelson Ferreira de Moraes e Paulo César Vieira.
A 15ª SDP já instaurou procedimento disciplinar e comunicou o caso à Corregedoria de Polícia. Embora cauteloso, Osnildo Carneiro admite que os agentes podem sofrer penalidades administrativas e criminais, caso haja comprovação da denúncia.


