Procura por UBS da Vila Ricardo no período noturno é crescente
Unidade está atendendo em horário ampliado desde semana passada, voltada aos casos de dengue
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Unidade está atendendo em horário ampliado desde semana passada, voltada aos casos de dengue
Pedro Marconi - Grupo Folha 
O movimento tem sido intenso na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Ricardo, na zona leste de Londrina. A unidade, que funciona 12 horas, de segunda a sexta-feira, teve o horário de atendimento estendido para até 23 horas. A ampliação é direcionada somente aos casos relacionados à dengue. A localidade é uma das que mais preocupam em relação à doença na cidade, com índice de infestação de 7,53%.

Desde 23 de janeiro, quando começou o horário especial para recepção de pacientes, o número de atendimentos só tem aumentado. No primeiro dia, por exemplo, foram 45 atendidos. Na última segunda-feira (27), a quantidade chegou a 126, entre avaliações e consultas. A reportagem esteve no local na noite de quarta-feira (28) e pôde constatar a intensa busca e o grande volume de casos confirmados e suspeitos.
Ao procurar a UBS para as situações de dengue, a pessoa passa por avaliação da equipe de enfermagem, acolhimento, avaliação médica e, a partir da determinação do especialista, é indicado o tratamento com soro via oral ou intravenoso e a necessidade de mais algum medicamento, entre outras ações. “Temos muita gente tomando soro direto na veia. De forma oral não está dando conta”, relatou a enfermeira Erika Tudisco, que atua no plantão noturno.
Na entrada da unidade, ao lado do bebedouro, foi disponibilizada uma jarra com soro para que os pacientes possam ir bebendo e se hidratando enquanto aguardam a vez. A dengue retira líquido dos vasos sanguíneos e compromete a circulação. Por isso, a hidratação é a principal maneira de tratar a doença. Ao lado do recipiente, folhetos indicam como prevenir e a importância de combater o mosquito Aedes aegypti.
DORES
Moradora da Vila Fraternidade, na zona leste, a dona de casa Kelly Cristina Vicente Furtado está com dengue pela primeira vez. Os sintomas começaram com dor no corpo. “Muita dor nos olhos, febre. Não imaginava que era dengue”, contou. A suspeita só surgiu na segunda-feira (27), quando o corpo ficou com vermelhidão. “Fiquei preocupada depois que tive o diagnóstico. Dengue mata”, constatou.
O prédio da Vila Ricardo está funcionando durante as noites com uma equipe formada por seis auxiliares de enfermagem, dois médicos, um enfermeiro, um servidor da área administrativa e outro de serviços gerais. São profissionais que já atuam no prédio, por meio das três UBSs alocadas no espaço, ou vindos de outras unidades, em que recebem extra.
Para o pedreiro Gilberto Félix, o atendimento ampliado é uma facilidade, principalmente para quem trabalha o dia todo. “Comecei a ter sintomas no fim de semana e estou fazendo acompanhamento. Como moro no jardim Marabá, a UBS da Vila Ricardo é perto e o atendimento é bom”, avaliou. Após ser diagnosticada com a doença, a pessoa precisa fazer acompanhamento numa unidade de saúde por sete dias consecutivos, em que é feita a avaliação, prova do laço, medida temperatura e anotada as queixas do paciente.
LIMPEZA
Todos que conversaram com a reportagem garantiram que mantêm o quintal limpo. As reclamações são contra os descuidos de vizinhos e terrenos vazios próximos que se tornaram despejo irregular, tornando-se criadouros. “Muitos não cuidam, infelizmente. Tem uma área em frente de casa em que jogam lixo, garrafas. Faço a minha parte, mas não colaboram”, lamentou a faxineira Rosangela Benedetti de Oliveira, que mora no jardim Antares e está com dengue pela segunda vez em dez anos.
‘São crianças, idosos e gestantes’
De acordo com os servidores que atuam na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Ricardo, na zona leste de Londrina, durante o atendimento, principalmente com o horário ampliado, a procura tem sido variada entre faixas etárias e sexos. “São crianças, idosos, gestantes, adultos, jovens”, elencou Erika Tudisco, que é coordenadora interina da unidade do Armindo Guazzi e tem ficado à noite na Vila Ricardo.
Nos casos das crianças, dependo das queixas elas são encaminhadas para o PAI (Pronto Atendimento Infantil). Coordenadora da UBS da Vila Ricardo, Marcia Cristina Brenny destacou que os pacientes são conscientizados durante a assistência. “Falamos com o paciente sobre a limpeza do quintal, se está atento ao do vizinho para orientar”, frisou. “As pessoas estão bem esclarecidas e só procurando a unidade para casos de dengue.”
A FOLHA apurou que a UBS da Vila Casoni, na região central, passará a abrir no período noturno a partir desta semana, inclusive, aos sábados. A Secretaria Municipal de Saúde não confirmou a informação e disse, por meio do Núcleo de Comunicação da Prefeitura, que mais detalhes serão repassados durante coletiva para atualizar os números da dengue na cidade, prevista para a tarde desta quinta-feira (30).(P.M.)


