Procura por serviços públicos em baixa
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - É dia de jogo. É dia em que os brasileiros acordam mais inspirados e o clima nas ruas ganha um tom além do verde e amarelo. Em Londrina, não é diferente. Aliás, em qualquer parte do país. E já nas primeiras horas do dia é possível observar o quanto a Copa do Mundo tem mudado a rotina da maioria das pessoas.
Ontem de manhã a FOLHA visitou alguns órgãos públicos na região central para verificar se em dias de jogos da Seleção há alguma mudança nos atendimentos. De fato, os londrinenses não querem perder nenhum lance do jogo e uma boa porcentagem tem adiado os compromissos para o dia seguinte.
Na Agência do Trabalhador do Sistema Nacional do Emprego (Sine), André Gonçalves da Silva, de 18 anos, fez questão de chegar cedo para voltar logo para casa. "Não perco nenhum jogo e hoje não vai ser diferente. Me programei para procurar emprego agora de manhã para ficar livre à tarde", disse.
O gerente de Intermediação de Mão de Obra e Habilitação ao Seguro Desemprego, Milton Velei, afirma que em dias de jogo do Brasil a procura pelos serviços no Sine tem sido bem menor, principalmente quando há proximidade com o final de semana.
"Pela manhã, temos uma redução de 30% nos atendimentos, mas à tarde esse volume sobe para 50%. Para se ter uma ideia, no primeiro dia da Copa, a média de 160 atendimentos diários caiu para 78", contabilizou, citando que em dias de partida o expediente encerra uma hora antes do jogo.
A emoção de assistir a Seleção jogando em casa também mexeu com o apetite dos londrinenses. No Restaurante Popular, a nutricionista Angélica Matos vem observando uma baixa frequência. "No dia a dia comercializamos 990 refeições, mas no dia 12, quando começou a Copa, registramos 794 refeições. Já no segundo jogo, 862. É uma demanda picada", salientou.
Até a mudança no horários dos bancos (das 8h30 às 12h30) tem provocado uma rotina diferente. "É ótima essa mudança. Não tem ninguém e fui atendido rapidinho", conta o estudante Ricardo Gonçalves de Moraes.
O desempregado Cícero Inácio da Silva também aproveitou a agência vazia para resolver várias pendências. "Cheguei cedo e ainda dá tempo de resolver outras coisas aqui pelo centro. Eu não ligo para futebol, mas adorei a ideia de não ter fila no banco", revelou.
Já no Instituto de Identificação, a procura contrariou a expectativa e o saguão estava cheio. "Vim tirar a segunda via do RG e CPF, mas imaginei que estaria mais vazio. Acho que todo mundo teve o mesmo pensamento de resolver tudo de manhã para acompanhar o jogo à tarde. Pode até ser que a Copa do Mundo seja uma fuga para muitos problemas que enfrentamos no país, mas não tem como não entrar no clima. Vamos torcer", ressaltou Rogério Ribeiro.
Nos dias de jogos, os bancos funcionam das 8h30 às 12h30 e o Restaurante Popular abre normalmente das 10h45 às 14h. Já o Instituto de Identificação inicia o atendimento às 8h até às 13h e o Sine, das 8h até uma hora antes do jogo.


