Curitiba - A implantação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa provocou um aumento de 20% na procura pelo Telegramátrica, apenas entre setembro e dezembro de 2007. As modificações na escrita, no entanto, já são estudadas pelas profissionais desde 1990, quando começaram as discussões sobre a unificação da língua. Desde então, elas aguardam pela definição de quando as regras entrariam em vigor.
Com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa publicado em 1990 nas mãos e uma pasta com diversas matérias publicadas sobre o assunto em 19 anos, elas perceberam que a procura de informações sobre o tema aumentou a partir da metade de 2007, quando as editoras preparavam materiais como livros didáticos e dicionários.
Porém, a preparação e o aparato de mais de cinco livros utilizados pelas atendentes não evitam que alguns usuários do serviço desliguem o telefone frustrados. A coordenadora do Telegramática, Beatriz Castro Cruz, afirma que alguns pontos do acordo ainda estão obscuros e geram controvérsias sobre a aplicação correta.
Para ela, estas dúvidas só serão esclarecidas com a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Beatriz aponta ainda que as manifestações contrárias ao acordo de escritores e da população são maiores em Portugal, onde as modificações serão maiores. ''Mexeu com o nacionalismo deles. Em Portugual, 1,6% das palavras serão modificadas'', diz. Mesmo com as dúvidas e polêmicas, Beatriz analisa o acordo como positivas, pois estimulam uma reflexão sobre a língua. ''Tudo que faz refletir sobre a língua é positivo. Já se passaram 18 anos e ninguém teve força política para mexer (nas mudanças), que adianta reclamar agora?'', afirma. (Carolina Gabardo Belo/Equipe da Folha)

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