Procura pela alma gêmea ultrapassa idade e sexo
Procura pela alma
gêmea ultrapassa
idade e sexo
Namoro à distância, namoro virtual, namoro na terceira idade, namoro
entre homossexuais. No amor, vale tudo em busca do par ideal
Internauta tem
namorado de verdade
e outro virtual,
que nunca encontrou
Anna Camanducaia
É regra com poucas exceções: homens e mulheres estão sempre à procura do par ideal. Um indivíduo sozinho não pode ser feliz. É essencial dividir a vida com outra pessoa, diz o psicólogo Adilson Bittencourt de Albuquerque. Não importa como, todos desejam a tão sonhada alma gêmea.
Patrícia, nome de uma internauta que não quis se identificar, de 32 anos, tem um relacionamento duplo há pouco mais de um ano. Ela e Rodolfo namoram há cinco anos e chegaram até a morar juntos. Com as brigas, os dois se separaram e ela se mudou para Curitiba. O namoro continuou, mas, em abril de 1997, Patrícia conheceu outra pessoa pela Internet. Estávamos numa fase parecida e nos identificamos, diz. Até hoje, eles não se encontraram. Combinamos, mas nunca deu certo porque ele mora no Rio de Janeiro.
A vida dela só não fica complicada com o jogo duplo porque os dois namorados moram longe. Durante a semana, ela fala com o virtual sem problemas. Nos finais de semana, é a vez de Rodolfo. Não sei o que vai acontecer. Não penso no futuro.
Não existe idade certa para achar um companheiro. A dona de casa Vilma Grimuza, de 49 anos, decidiu participar das atividades do Sesc porque estava cansada de ficar sozinha. Deu resultado. Em janeiro deste ano, começou a namorar o aposentado Guido Príncipe, de 57 anos.Quando se tem um companheiro, todas as horas são alegres, diz Vilma. Hoje, os dois já estão morando juntos.
O sonho de ter uma cara-metade não é apenas dos heterossexuais. Os homossexuais também querem um companheiro para o resto da vida, apesar de terem uma idéia menos idealista do casamento. Queremos buscar o parceiro ideal, mas temos coragem de partir para outra quando percebemos que a relação não vai dar certo, diz o estudante Emerson (nome fictício), de 25 anos. O resto é igual: a história da fidelidade, o ciúme e a paquera.
O que ainda atrapalha o namoro homossexual, segundo Emerson, é o preconceito. Como não é um relacionamento padrão, não podemos demonstrar afeto em público.





