Procura a serviços municipais retorna lentamente
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A aposentada Lourdes Amaro Moreira, 51 anos, foi a primeira a chegar à prefeitura de Londrina, às 6 horas da manhã de ontem. As portas só seriam abertas duas horas mais tarde, mas ela aguardava com religiosa paciência. ''Faz quase um mês que quero acertar o IPTU, porque estou comprando uma casa nova e a Cohab exige a regularização. Esperar mais algumas horas não é problema'', declarou.
Lourdes madrugou porque esperava se deparar com uma longa fila de contribuintes afoitos por atendimento, assim como ela. Mas, até às 8 horas, apenas uma dúzia de cidadãos se encontrava no local. A cena é um bom exemplo de como foi o primeiro dia na rede de serviços municipais após o fim da greve dos servidores, que se arrastou por um mês. Em escolas e unidades de saúde, as pessoas também pareciam ainda estar se acostumando à idéia de ''retorno à vida normal''.
''Ainda não voltamos a ter a mesma procura que havia antes da greve. O atendimento normal era de 80 pacientes por dia e caiu para 30. Mas a demanda logo vai voltar a subir e a espera por uma consulta deverá ser um pouco mais longa, por causa do acúmulo'', antecipou a coordenadora do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), Leilaine Furlaneto Rodrigues. O CEO manteve o serviço de clínica-geral funcionando durante a paralisação, mas há 300 pessoas cadastradas na fila de espera por consultas.
Na Policlínica Municipal, que atendeu normalmente durante a greve, a preocupação da coordenadora, Keiko Oguido, é com o aumento do número de pacientes que deverão ser encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS). ''Com o acúmulo de trabalho, as UBSs vão começar a nos ligar pedindo vagas para consultas mais urgentes, e não teremos condições de atender a todas. Cada especialista pode atender, no máximo, dois pacientes a mais do que o previsto por dia'', observou. Em situação normal, a Policlínica realiza 120 consultas diárias.
No Pronto Atendimento Municipal (PAM) e no Pronto Atendimento Infantil (PAI), o movimento também estava aquém do cotidiano até ontem. ''Como trabalhamos com poucas consultas agendadas, não teremos problemas para normalizar o atendimento'', ponderou a diretora das duas unidades, Vera Lúcia Roncaratti. Já a UBS do Jardim Leonor (Zona Oeste), a exemplo de outras, começou o dia com sala de espera cheia. ''Demorei sete meses para marcar consulta com um clínico-geral e, quando consegui, veio a greve. Paguei um médico particular, mas agora quero voltar ao atendimento gratuito'', contou a auxiliar de serviços gerais Maria Isabel de Souza, 46 anos.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, estava em Brasília ontem. Por telefone, ele declarou acreditar que, até a semana que vem, o atendimento de saúde em Londrina estará normalizado. ''Um levantamento apontou que 85% do total de atendimentos normal foi cumprido durante a greve. A transição não deve ser problemática.''
Já na rede municipal de ensino, os diretores estão preparando os calendários de reposição de aulas, que serão discutidos com professores e pais de alunos e encaminhados para a Secretaria Municipal de Educação. A secretária Carmem Baccaro Sposti já adiantou que o calendário escolar em toda a cidade só deverá ser normalizado em novembro.
Na Escola Municipal Maria José Carneiro, no Jardim Santiago (Zona Oeste), parte dos 400 alunos não compareceu às aulas ontem. ''Acredito que alguns pais ainda não sabiam que a greve havia acabado, mas isso logo se resolve'', disse a diretora Nanci Silva Lima. O aluno de 3 série Gabriel Felipe de Oliveira, 8 anos, contou que aproveitou as ''férias forçadas'' para brincar com os amigos, mas deixou um aviso: ''Foi divertido, mas não quero outra greve.''


