O Procon de Londrina suspendeu ontem a venda da pulseira da dengue "Bye Bye Mosquito" em todos os estabelecimentos comerciais da cidade. A embalagem do produto apresentava informações borradas e de difícil visualização. Entre elas, a recomendação para o não uso em crianças.
A suspensão aconteceu após a denúncia de uma mulher que procurou o Procon e informou que o filho de quatro anos teve lesões na pele do braço após usar o produto. A mãe alegou que desconhecia a proibição do uso em crianças.
"Nossos fiscais recolheram 30 pulseiras em quatro lojas de uma rede de farmácias. Pelo menos 20 delas apresentavam rótulos ilegíveis ou parcialmente borrados. A informação de que crianças não podem usar tem que estar clara na embalagem", informou o coordenador executivo do Procon-LD, Rodrigo Brum Silva.
O fabricante da pulseira foi notificado para que o rótulo seja corrigido e tem prazo para se defender. A venda só poderá ser retomada após a empresa fazer as correções exigidas.
Brum relatou que o órgão não fiscalizou outros estabelecimentos, mas ressaltou que a venda está suspensa em todos os lugares. "Independentemente do lote o produto não pode ser vendido e nem guardado em estoque. Quem insistir em comercializar será penalizado", frisou o coordenador.

Sem comprovação
A pulseira da dengue é um produto emborrachado composto por uma essência da planta citronela, um repelente natural contra mosquitos e borrachudos. O pediatra Milton Macedo de Jesus alerta que o produto não tem nenhuma comprovação científica e por isso não é recomendável o seu uso. "A melhor forma do combater a dengue é evitar o acúmulo de água e lixo. Este produto ninguém sabe o que ele pode causar", ressaltou.
"A Citronela é a mesma usada em repelentes. Só que na pulseira da dengue a concentração é maior e com isso o cheiro fica mais forte", explicou a farmacêutica Thalita Regina de Queiroz.
Segundo a farmacêutica, o produto não é contraindicado para o uso infantil, mas ressaltou que em alguns casos pode haver alergia, em virtude da absorção da essência pela pele. "A procura maior é justamente para uso em crianças quando há alguma atividade em chácara ou sítio", frisou Thalita.
"A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de qualquer tipo de repelente em crianças com menos de seis meses", informou o médico.

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