O Procon de Maringá começou ontem a notificar os hospitais que exigem depósito caução para atender pacientes e que não exibem tabelas de preços dos procedimentos. Dos sete hospitais instalados na cidade, cinco serão fiscalizados pelo Procon. Apenas o Hospital Universitário (HU) e o Sanatório de Maringá ficarão de fora da fiscalização.
De acordo com o diretor do órgão, Adilson Reina Coutinho, é expressivo o número de reclamações de usuários contra os hospitais locais. A maioria, segundo ele, denuncia a exigência de depósitos de caução antes do atendimento. ''Os hospitais podem cobrar pelo serviço prestado, mas jamais condicionar o atendimento ao depósito em caução. Isso é coação'', disse Coutinho. Ele conta que um dos casos registrados no Procon é de um jovem que prestou socorro a uma vítima - mesmo sem conhecê-la - e ao chegar no hospital foi informado de que os procedimentos médicos só seriam realizados mediante a caução. ''A pessoa nem conhecia a vítima e mesmo assim se viu obrigada a deixar um cheque no hospital para que fosse feito o atendimento emergencial'', afirmou Coutinho.
A falta de uma tabela de preços também é outra irregularidade encontrada na maioria dos hospitais de Maringá, conforme o diretor do Procon. ''As consultas com especialistas são cobradas de acordo com a cara do paciente'', denuncia Coutinho. Os hospitais notificados, conforme Coutinho, estão sendo orientados a abandonarem a prática do depósito caução e a estabelecerem uma tabela de preços, inclusive para consultas especializadas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Hospitais de Maringá, Antônio Carlos do Nascimento, o que está faltando é maior esclarecimento por parte dos usuários. Ele assegurou que nenhum hospital de Maringá deixa de prestar atendimento de emergência por falta de depósito em caução e defendeu este tipo de prática. ''O que acontece é que muitos planos de saúde não cobrem totalmente os custos do tratamento e a caução é uma garantia do hospital de que o pagamento da diferença será feito pelo paciente'', disse.
Quanto a tabela de preços, Nascimento afirmou que as consultas especializadas em média giram em torno de R$ 100,00, mesmo valor de uma consulta comum. No entanto, garante Nascimento, não dá para prever o custo do tratamento porque ele varia de acordo com a melhora do paciente ou da necessidade de novas intervenções médicas. ''Se houve algum abuso é uma excepcionalidade e aí sim esta prática deve ser questionada junto ao profissional'', ponderou.

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