CAMPO MOURÃO - A Coordenadoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Campo Mourão divulgou ontem a quarta lista de empresas e prestadores de serviços que tiveram seus nomes registrados no órgão desde a sua criação, em 1993. A lista tem 25 páginas e conta com 1.230 queixas envolvendo 333 empresas. Desse total, 522 reclamações foram resolvidas com acordo, 161 não tiveram acordo e 547 acabaram denunciadas na Promotoria Pública.
O cadastro divulgado anualmente pelo Procon mantém as empresas na ‘‘lista negra’’ por cinco anos. Isso quer dizer que quem foi ‘‘fichado’’ logo que o órgão começou a funcionar em Campo Mourão, em maio de 93, só vai sair no ano que vem. A lista também é publicada numa edição extra do ‘‘Órgão Oficial do Município’’, jornal semanal editado pela prefeitura. ‘‘O número de empresas que fazem acordos é grande’’, ameniza o secretário executivo do Procon, Waldemar Fenerich.
O ‘‘capítulo’’ das reclamações resolvidas, com 522 queixas, perde por pouco para os casos enviados à Promotoria (547). Todas as reclamações ajuizadas, no entanto, envolvem apenas sete empresas. Entre elas estão os campeões: Estância Hidrotermal de Campo Mourão, com 278 queixas, e a Imobiliária Trivelato, com 176. A primeira prometeu - e cobrou por isso - a construção de um clube de lazer que nunca saiu do papel. A segunda desativou outro clube sem avisar aos associados.
Junto com a lista, o Procon divulgou o relatório com os atendimentos do ano passado. O órgão manteve a média de mais de três mil queixas e atendimentos por ano verificada desde 94, mas o número de reclamações protocoladas caiu bastante. De 546 em 93, os protocolos caíram para 157 em 96. A explicação se deve a um novo comportamento do órgão. ‘‘Antes protocolávamos todas as queixas que iam chegando’’, conta Fenerich. ‘‘Agora procuramos orientar o consumidor primeiro’’.
‘‘Aula’’ O novo sistema funciona como uma espécie de trabalho educativo ao consumidor. Quem aparece com alguma queixa recebe uma aula dos direitos que tem sobre o caso e é orientado a voltar à empresa para tentar um acordo direto. Somente se isso não der certo é que a reclamação é protocolada e o Procon entra na briga. ‘‘Assim o consumidor aprende a usar os seus direitos e não a apenas usar o órgão’’, frisa Fenerich. Como consequência, caem novas procuras ao Procon.
No ano passado, 49,04% das reclamações protocoladas foram resolvidas. É o maior índice desde a criação do órgão. Os casos não resolvidos (28,02%) também cresceram, mas as empresas encaminhadas à Promotoria (3,25) despencaram. Há quatro anos, 67,22% das queixas protocoladas foram parar na Justiça, contra apenas 17,14% de casos resolvidos. Outra mudança: a habitação e os consórcios, que lideraram as reclamações em 95, agora foram superados pelos assuntos financeiros.

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