Está em fase final o processo de indenização que a empregada doméstica Luzia Teixeira Colombo move contra o Estado do Paraná. Ela alega ter sido torturada e denunciada por um crime que não cometeu. A doméstica foi apresentada à imprensa pela polícia sob acusação ter matado sua colega de trabalho Cleonice de Fátima Rosa. O crime aconteceu na noite de 10 de julho de 1993, na escadaria interna de um apartamento triplex na rua Goiás, centro de Londrina, onde as duas trabalhavam. O apartamento pertence à família Pepiliasco. Cleonice foi encontrada degolada na escada; ao lado dela foi encontrada uma faca.
O processo de indenização tramita na 1ª Vara Cível de Londrina. As testemunhas de defesa de Luzia já foram ouvidas. Os policiais acusados de tortura são o delegado Nelson Max Hummig e os investigadores Almir Batista, Joceir Alves de Oliveira Almeida e Bento Alves Sampaio. Atualmente eles trabalham em outras cidades do Estado. Segundo o advogado Aparecido Medeiros, procurador da doméstica, falta ouvir os acusados. A ação chegou a ser embargada por intermédio da Procuradoria Geral do Estado, sob a alegação de que os responsáveis diretos pela tortura seriam somente os policiais. O embargo foi suspenso pelo Tribunal de Justiça.
Depois que os policiais forem ouvidos, sairá a sentença. A indenização é para reparar danos patrimoniais e morais. ‘‘Aos danos patrimoniais estamos pedindo um salário mínimo por mês até ela completar 65 anos. Em relação aos danos morais o valor deverá ser estipulado pelo juiz que assinar a sentença’’, explica o advogado de Luzia. Ele ressalta que, em virtude da execração pública que Luzia sofreu, ela não conseguiu mais emprego e ficou emocionalmente abalada.
Várias confusões da polícia marcaram a apuração do crime. Um mês depois do dia do crime, as investigações policiais concluíram que a principal suspeita era a artista plástica Vanda Pepliasco. Até hoje o processo do homicídio tramita na Justiça sem definir culpabilidade, por erros na elaboração dos laudos periciais.

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