Processo pela beatificação de Madre Leônia está concluído
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segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Modelo de vida, de fé, de santidade e, possivelmente, intercessora de um grande milagre. Essas características são atribuídas à Madre Leônia Milito, uma italiana que passou a maior parte do seu tempo em Londrina, onde fundou a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret em 1958. A vida exemplar de Madre Leônia fez com que as irmãs claretianas iniciassem o processo de beatificação da madre, que terá a fase diocesana encerrada com uma missa no próximo dia 18, celebrada pelo arcebispo da cidade, dom Albano Cavallin, na Catedral.
Mesmo não sendo ainda considerada santa pelo Vaticano, Madre Leônia já tem milagres atribuídos à sua intercessão. Silene Luiza Scussiato Garib, 80 anos, teve um câncer no esôfago em 1996. Sua filha Maria Helena contou que ela possui outras doenças como diabete e problemas cardíacos e que por isso não podia fazer a cirugia, nem quimioterapia, nem qualquer outro tipo de tratamento. ''Minha mãe já não comia, mal conseguia engolir água, não falava e estava muito fraca'', recordou.
Vendo essa situação, o marido de Silene, Magid Garib, foi até o Santuário Eucarístico, onde se encontra o túmulo de Madre Leônia, para orar. ''Aos pés de Jesus ele pediu que a madre intercedesse junto a Ele para curar minha mãe'', contou Maria Helena. Ela afirmou que dias depois a mãe pediu para que fizessem macarronada com frango e que ela comeu tudo. ''Depois, ela foi só melhorando e nunca mais teve nada no esôfago'', garantiu Maria Helena. E ela ainda enfatizou: ''Eu creio firmemente na intercessão da madre porque eu vivi essa história. Para mim, é uma grande alegria saber que uma pessoa que procurou a vida de santidade pode ser declarada santa''.
Essa mesma alegria é compartilhada entre as irmãs claretianas e dom Albano Cavallin. ''Londrina já exportou café, soja, e agora está exportando bondade e santidade'', brincou dom Albano. Ele lembrou que os santos são modelos de vida e que o mundo hoje está precisando e muito desses modelos. Porém, o arcebispo fez questão de esclarecer que quem realiza os milagres é Deus. ''Os santos são da 'companhia' de Jesus. Eles não são opositores de Cristo, mas do Seu time''.
A irmã Terezinha Almeida, responsável pela fase diocesana do processo, lembrou que as irmãs claretianas estão presentes hoje nos cinco continentes, graças ao trabalho de Madre Leônia. No processo de beatificação, irmã Terezinha contou que foram usadas várias anotações da madre como diário, cadernos de estudos, cartas e bilhetes.
A irmã Fátima Lima, que conviveu com a madre, acrescentou que ela adorava música e flores, e que a primeira hora do seu dia era utilizada para meditação com a Palavra de Deus e também com músicas sacras. ''Depois de Deus, ela é uma motivação missionária para nós'', declarou.
O processo de beatificação segue agora para a Santa Sé, no Vaticano, onde será analisado. ''Lá terá um 'advogado do diabo' que vai esmiuçar para ver se a vida de Madre Leônia foi digna para que ela seja declarada santa'', explicou dom Albano. A beatificação é a primeira etapa para o processo de canonização. Madre Leônia faleceu aos 67 anos em uma acidente na BR 369, em Cambé, no dia 22 de julho de 1980.


