Processo legal é demorado e cansativo
O casal Brian e Rosemari Teachout está há três anos trabalhando para adotar uma criança. ''Queríamos uma criança brasileira porque já temos uma ligação forte com o país'', conta Brian. Rose, mineira de Belo Horizonte, mudou-se para os Estados Unidos há 18 anos. A opção pelo Brasil, no entanto, não foi fácil. É que para os americanos é mais fácil adotar crianças da Rússia, China e Coreia, países que impõem menos exigências aos casais.
O processo é demorado. Inclui estudos da família, da casa e das condições financeiras do casal. Todo esse processo é conduzido nos EUA por entidades especializadas. A família Teachout optou pelo trabalho da organização Limiar, que trabalha exclusivamente com adoção, por americanos, no Brasil. O processo é caro. Mas nem isso fez o casal desistir. ''Somos abençoados por termos recursos'', diz Brian.
A princípio o casal esperava adotar uma criança mais nova que Nicholas, o filho biológico, que tem seis anos. Mas acabaram abrindo mão dessas limitações. A família só veio a saber que poderia adotar as duas crianças paranaenses em novembro do ano passado. Desde então acompanharam ansiosos o trâmite burocrático.
Durante esse período, a família preparou a casa para os novos integrantes. Já há um quarto esperando pelas crianças. A escola já sabe da ida delas para lá. Para Rose, a adaptação a um idioma diferente não vai ser problema. ''A escola tem um programa para quem não é falante nativo do inglês'', conta.
Na família, avós, tios, sobrinhos também esperam com ansiedade pelos novos parentes. ''Teve momentos que tivemos que dizer para eles segurarem um pouco a empolgação'', relata Rose. A preocupação do casal era com a possibilidade de a adoção não se concretizar. Foi só há poucas semanas da data marcada para a família vir para o Brasil que a situação ficou definida.
O casal terá que passar pelo menos 40 dias no Brasil. Desses, ''30 dias são de avaliação intensa da relação da família com as crianças que serão adotadas'', explica Audelino de Souza, representante da Limiar. É ele quem acompanha a família no Brasil.
Pelo menos uma vez por semana uma assistente social da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) visita a família e avalia a situação. Só então o juiz decide se defere ou não o pedido de adoção. Daí o casal ainda tem que esperar a emissão dos documentos que oficializam o processo. ''Só vou me sentir segura quando chegar em casa com as crianças'', confessa Rose.
O trâmite todo é cansativo, admite o casal. ''Mas eu entendo que isso é necessário'', diz Brian. Para Rose, o que a tranquiliza é o trabalho da equipe de assistentes sociais que acompanham a família e as crianças. ''Dá para ver que a principal preocupação dela é com o bem-estar das crianças.''
(R.C.F.)





